A Petrobras informou nesta segunda-feira (1º) uma redução de 14,2% no valor do querosene de aviação, combustível utilizado pelas companhias aéreas em suas operações. O novo preço entrou em vigor no início de junho e representa uma diminuição de R$ 0,93 por litro em relação ao valor praticado no mês anterior. O reajuste é aplicado às distribuidoras responsáveis pela compra do combustível junto à estatal.
Segundo a empresa, a decisão acompanha mudanças observadas no mercado internacional, especialmente após a redução das pressões sobre os preços globais do setor energético.
Queda acompanha cenário internacional
De acordo com a Petrobras, o novo reajuste reflete uma desaceleração das altas registradas nos preços internacionais do combustível aeronáutico. Nos últimos meses, o mercado foi impactado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, fator que contribuiu para a valorização do petróleo e de seus derivados.
Com a diminuição dessas pressões externas, houve espaço para uma revisão dos preços praticados pela estatal no Brasil. A companhia destacou que os contratos firmados com as distribuidoras preveem atualizações periódicas, levando em consideração as condições do mercado internacional.
Como funciona a definição do preço do QAV
Diferentemente da gasolina e do diesel, cujos reajustes seguem outra dinâmica comercial, o preço do querosene de aviação é atualizado mensalmente por meio de contratos específicos estabelecidos entre a Petrobras e as distribuidoras.
Esse modelo faz com que as variações do mercado internacional sejam refletidas de forma mais frequente no combustível utilizado pelo setor aéreo. Assim, oscilações no preço do petróleo e eventos globais podem influenciar diretamente os custos das companhias aéreas.
Histórico recente do querosene de aviação
A redução anunciada em junho ocorre após uma expressiva elevação registrada anteriormente. Em abril, a Petrobras havia promovido um aumento acumulado de 54,63% no valor do combustível em comparação ao mês anterior. Na ocasião, o reajuste foi implementado de forma parcelada.
A forte alta foi atribuída principalmente ao cenário de instabilidade internacional, que impulsionou os preços do petróleo no mercado global. Como consequência, o setor aéreo enfrentou um aumento significativo em seus custos operacionais.
Segundo dados divulgados pela estatal, ao considerar o período entre dezembro de 2022 e os dias atuais, o combustível acumula uma redução real de 5,8%. Em valores corrigidos pela inflação, isso representa uma queda equivalente a R$ 0,34 por litro.
Impacto nos custos das companhias aéreas
Os reajustes do combustível têm impacto direto sobre a estrutura financeira das empresas do setor aéreo. Após o aumento aplicado em abril, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alertou que o combustível poderia representar cerca de 45% dos custos operacionais das companhias.
Antes da forte elevação, essa participação girava em torno de 30%. O aumento dos gastos com combustível é considerado um dos principais desafios enfrentados pelas empresas aéreas, uma vez que influencia diretamente a rentabilidade das operações e pode afetar a política de preços das passagens.
Produção nacional e influência do petróleo
Apesar de o Brasil produzir internamente mais de 80% do querosene de aviação consumido no país, o combustível continua sujeito às variações do mercado internacional. Isso ocorre porque sua precificação leva em consideração referências globais, especialmente as cotações do petróleo.
Dessa forma, conflitos internacionais, mudanças na oferta mundial da commodity e oscilações cambiais continuam exercendo influência sobre os preços praticados no mercado brasileiro.
Governo mantém benefício tributário para o setor
Além da redução anunciada pela Petrobras, o setor recebeu recentemente outra medida de apoio. Na última sexta-feira (29), o governo federal decidiu prorrogar até 31 de julho a redução das alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre a importação e comercialização do querosene de aviação e do biodiesel.
O benefício tributário estava previsto para terminar em 31 de maio, mas foi estendido por mais dois meses. A iniciativa busca aliviar parte dos custos enfrentados pelos segmentos que dependem desses combustíveis, incluindo a aviação comercial.

