O novo ranking divulgado nesta quarta-feira (20) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), em parceria com outras entidades, revelou quais municípios brasileiros apresentam os melhores e os piores índices de qualidade de vida em 2026. O estudo analisou os 5.570 municípios do país e apontou que as diferenças regionais seguem expressivas, principalmente entre cidades das regiões Sul e Sudeste em comparação ao Norte e Nordeste.
Segundo os dados do Índice de Progresso Social (IPS Brasil 2026), a cidade paulista de Gavião Peixoto voltou a ocupar a liderança nacional pelo terceiro ano consecutivo. Já o município de Uiramutã, em Roraima, ficou na última posição do levantamento.
Como funciona o índice de qualidade de vida
O IPS Brasil utiliza uma metodologia baseada em 57 indicadores sociais e ambientais para medir o desenvolvimento social dos municípios brasileiros. Entre os critérios avaliados estão acesso à saúde, educação, segurança, moradia, saneamento básico, inclusão social e sustentabilidade ambiental.
As informações usadas no estudo são provenientes de bases públicas reconhecidas nacionalmente, incluindo dados do IBGE, DataSUS, Inep e MapBiomas. A pontuação varia de 0 a 100, sendo que notas mais altas indicam melhores condições de vida para a população.
De acordo com o levantamento, a média nacional em 2026 ficou em 63,40 pontos. Apesar de representar uma evolução em relação aos anos anteriores — 63,05 em 2025 e 62,85 em 2024 — o crescimento foi considerado pequeno pelos responsáveis pelo estudo.
A coordenadora do levantamento destacou que a maioria dos municípios apresentou aumento discreto na pontuação, geralmente limitado a um ou dois pontos em comparação ao ano anterior.
Cidades com melhor qualidade de vida em 2026
A liderança do ranking permaneceu com Gavião Peixoto, cidade localizada no interior de São Paulo e com população estimada em cerca de 4,8 mil habitantes. O município alcançou 73,10 pontos no IPS Brasil 2026.
Além de São Paulo, estados das regiões Sul e Sudeste dominaram as primeiras posições do levantamento. Das 20 cidades mais bem colocadas, 18 pertencem a essas regiões.
Municípios com melhores notas no IPS Brasil 2026
- Gavião Peixoto (SP) — 73,10
- Jundiaí (SP) — 71,80
- Osvaldo Cruz (SP) — 71,76
- Pompéia (SP) — 71,76
- Curitiba (PR) — 71,29
- Nova Lima (MG) — 71,22
- Gabriel Monteiro (SP) — 71,16
- Cornélio Procópio (PR) — 71,16
- Luzerna (SC) — 71,10
- Itupeva (SP) — 71,08
- Rafard (SP) — 71,08
- Presidente Lucena (RS) — 71,05
- Adamantina (SP) — 70,97
- Maringá (PR) — 70,87
- Alto Alegre (RS) — 70,86
- Ribeirão Preto (SP) — 70,80
- Brasília (DF) — 70,73
- Barra Bonita (SP) — 70,71
- Araraquara (SP) — 70,70
- Águas de São Pedro (SP) — 70,66
Norte e Nordeste concentram piores índices
Na outra ponta do levantamento, cidades das regiões Norte e Nordeste aparecem com os menores índices de progresso social do país. Entre os 20 municípios com piores resultados, 19 estão nessas regiões.
Uiramutã, em Roraima, ficou na última posição geral, com 42,44 pontos. O Pará também concentra diversos municípios entre os menores desempenhos do ranking.
Municípios com menores notas no IPS Brasil 2026
- Uiramutã (RR) — 42,44
- Jacareacanga (PA) — 44,32
- Alto Alegre (RR) — 44,72
- Portel (PA) — 45,42
- Amajari (RR) — 45,58
- Pacajá (PA) — 45,87
- Anapu (PA) — 45,91
- Japorã (MS) — 46,23
- Santa Rosa do Purus (AC) — 46,70
- Uruará (PA) — 46,80
- Trairão (PA) — 46,82
- Bannach (PA) — 47,23
- São Félix do Xingu (PA) — 47,38
- Recursolândia (TO) — 47,39
- Cumaru do Norte (PA) — 47,43
- Peritoró (MA) — 47,53
- Oeiras do Pará (PA) — 47,57
- Ladainha (MG) — 47,58
- Anajás (PA) — 47,62
- Paranã (TO) — 47,63
Desigualdade regional segue como desafio
O levantamento reforça que a desigualdade entre os municípios brasileiros continua sendo um dos principais desafios do país. Enquanto cidades do Sul e Sudeste concentram melhores índices sociais e ambientais, municípios do Norte e Nordeste ainda enfrentam dificuldades relacionadas à infraestrutura, serviços públicos e acesso a direitos básicos.
Os dados do IPS Brasil 2026 também evidenciam que os avanços registrados nos últimos anos ocorreram de forma lenta, sem mudanças significativas no cenário nacional.

