*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O município de Sorriso, localizado no Norte de Mato Grosso, viveu uma noite de extrema violência na última terça-feira, dia 19 de maio. Duas mulheres foram assassinadas em um intervalo de menos de três horas nos bairros Residencial Vila Bela e Mário Raiter. As forças de segurança pública do município investigam a ligação direta dos dois crimes com o tráfico de entorpecentes e a guerra entre facções criminosas que disputam o controle da região.
As ocorrências mobilizaram equipes do 12º Batalhão da Polícia Militar, Força Tática e do motopoliciamento Raio, resultando na prisão de suspeitos e na apreensão de uma arma de fogo de uso restrito.
TRIBUNAL DO CRIME NO BAIRRO VILA BEla
O primeiro homicídio foi registrado no início da noite na Rua Oiapoque, localizada no bairro Residencial Vila Bela. A vítima, Nayana Miranda Conceição, de 39 anos, foi executada dentro de sua própria residência após passar por uma espécie de julgamento sumário orquestrado por uma facção criminosa.
De acordo com o depoimento da filha da vítima, a ação começou quando uma mulher foi até o imóvel e comprou uma porção de drogas com Nayana. Cerca de 30 minutos depois, três homens armados invadiram a residência e mantiveram mãe e filha sob cárcere privado, alegando que fariam uma “averiguação” nos aparelhos celulares de ambas.
Pouco tempo depois, mais dois criminosos chegaram ao local para integrar o bando. A jovem foi trancada em um banheiro na área externa da casa. Da linha de isolamento, ela ouviu os disparos de arma de fogo vindos de dentro do imóvel. Ao conseguir sair do banheiro, encontrou a mãe baleada. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas constatou o óbito de Nayana assim que chegou ao local.
PRISÃO DOS SUSPEITOS E CONFISSÃO
Durante a fuga, um dos atiradores utilizou a motoneta da vítima, que foi abandonada em outra região de Sorriso. Em uma rápida resposta, a Polícia Militar localizou os envolvidos escondidos em um imóvel já conhecido pelas forças de segurança como ponto de encontro de integrantes de facções.
Ao serem abordados, os suspeitos apresentaram versões contraditórias, mas acabaram confessando a participação no crime. Eles afirmaram que Nayana foi submetida ao “tribunal do crime” sob a acusação de comercializar entorpecentes fornecidos por uma organização criminosa rival.
EXECUÇÃO E APREENSÃO DE DROGAS NO BAIRRO MÁRIO RAITER
Enquanto as equipes policiais ainda isolavam a cena do crime no Vila Bela para os trabalhos da Politec, um segundo homicídio foi acionado no bairro Mário Raiter. A vítima foi a jovem Karine Stéfane Pereira dos Santos, de 21 anos.
Testemunhas relataram que três homens e uma mulher chegaram à residência de Karine em duas motocicletas e ordenaram que todas as pessoas presentes entrassem no imóvel. Uma das testemunhas conseguiu pular o muro dos fundos e fugir para buscar ajuda.
Karine foi atingida por um disparo na região da cabeça. Ela chegou a ser socorrida com vida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada às pressas para o Hospital Regional de Sorriso, mas não resistiu à gravidade do ferimento e morreu logo após dar entrada na unidade médica. Após os tiros, os autores da execução fugiram a pé em direção a uma plantação de milho nas proximidades.
Durante a varredura na cena do crime, os policiais encontraram 114 gramas de substância análoga à pasta base de cocaína escondidas sob o colchão da vítima.
RESPOSTA DAS FORÇAS DE SEGURANÇA
A principal linha de investigação da Polícia Militar aponta que ambos os homicídios foram motivados por acertos de contas e disputas territoriais do tráfico de drogas. Karine, a jovem assassinada no Mário Raiter, também é apontada pelas investigações iniciais como fornecedora de entorpecentes para uma facção rival à dos executores.
Na operação integrada para capturar os envolvidos nas duas ocorrências, as equipes da Força Tática, Raio e do 12º Batalhão apreenderam:
-01 pistola calibre .40 com a numeração raspada;
-Carregador e munições correspondentes;
-Aparelhos celulares dos suspeitos (que passavam por perícia).
A Polícia Civil, por meio da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), assumiu as investigações para identificar e prender os demais envolvidos que conseguiram fugir.

