*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A morte de Valdivino Almeida Fidelis, servidor da escola tradicional Liceu Cuiabano há mais de uma década, ocorrida durante uma ação policial na noite da última segunda-feira, dia 11 de maio, gerou uma onda de homenagens e o cancelamento das atividades pedagógicas na unidade.
Valdivino era uma figura no cotidiano dos estudantes. Conhecido carinhosamente pelo apelido de “Pai”, ele era descrito por alunos e colegas como um profissional sempre rodeado de jovens, a quem chamava de “filhos e filhas”. Nas redes sociais, dezenas de estudantes compartilharam fotos e mensagens de despedida, destacando o acolhimento que oferecia nos corredores da escola.
Em nota oficial, a direção do Liceu Cuiabano manifestou condolências e suspendeu as aulas nesta terça-feira, dia 12 de maio, em sinal de respeito. “Sua memória permanecerá eternamente viva em nossas lembranças”, afirmou a instituição.
DESFECHO TRÁGICO NO GOIABEIRAS
De acordo com a Polícia Militar, o servidor mantinha a ex-enteada em cárcere privado em uma residência no bairro Goiabeiras. A motivação seria o inconformismo com o fim do relacionamento com a ex-companheira, mãe da jovem.
O sargento Mendes, que atuou na ocorrência, afirmou que a intervenção foi necessária para evitar uma tragédia ainda maior.
“Por a enteada dele estar em iminente risco de morte, houve intervenção do Estado na tentativa de cessar esse possível feminicídio”, explicou o militar.
O CONFRONTO E VÍDEOS DE DESPEDIDA
Ao chegarem ao local, policiais da equipe Raio 02 relataram ter ouvido disparos dentro do imóvel. Pela janela, os agentes visualizaram Valdivino apontando um revólver calibre .38 contra a cabeça da ex-enteada.
Ao sair da residência e se deparar com a guarnição, Valdivino teria ignorado a ordem de rendição e apontado a arma contra os militares, que reagiram com disparos. Ele morreu no local.
Gravações encontradas após o crime revelam o estado psicológico do servidor. Em vídeos registrados momentos antes da morte, Valdivino aparece conversando ao telefone e em tom de despedida com a jovem.
“A minha vida está ruim. Minha vida está péssima. Aí você só chama a polícia para levar meu corpo. Eu vou morrer hoje”, disse ele em um dos trechos.
INVESTIGAÇÃO EM CURSO
A Politec realizou a análise da cena e a coleta da arma municiada utilizada pelo servidor.
O caso agora está sob investigação da Polícia Civil, que deve apurar as circunstâncias.

