A Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a se pronunciar sobre o surto de hantavírus registrado em um navio de cruzeiro no Atlântico Sul após a confirmação de mortes entre passageiros. Segundo autoridades internacionais, os sintomas do Hantavírus seguem sendo monitorados em diferentes países, enquanto especialistas avaliam o risco de transmissão da cepa identificada na embarcação.
O caso ganhou repercussão internacional após três passageiros morrerem durante a viagem do navio MV Hondius, que saiu da Argentina no início de abril com destino a Cabo Verde. A identificação de uma variante andina do vírus, associada em raras ocasiões à transmissão entre pessoas, elevou a preocupação entre autoridades sanitárias e passageiros.
OMS afirma que risco de pandemia é considerado baixo
Nesta sexta-feira (8), o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, afirmou em Genebra que o hantavírus representa uma ameaça séria, mas destacou que o risco para a população em geral permanece “extremamente baixo”.
A avaliação reforça o posicionamento adotado pela entidade desde os primeiros registros do surto no cruzeiro. A organização descarta, neste momento, qualquer cenário semelhante ao observado no início da pandemia de Covid-19.
De acordo com informações divulgadas pela agência AFP, a OMS acredita que novos casos ainda possam surgir nos próximos dias, principalmente entre pessoas que tiveram contato próximo com passageiros infectados. Mesmo assim, a expectativa é de que o avanço da doença permaneça controlado caso medidas sanitárias sejam mantidas.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, também declarou que a situação segue sob monitoramento e que a ameaça à saúde pública global continua baixa.
Surto no navio mobiliza autoridades de vários países
A OMS confirmou cinco casos positivos de hantavírus entre oito suspeitas investigadas no cruzeiro MV Hondius. O navio levava passageiros e tripulantes de aproximadamente 20 países diferentes.
Segundo a companhia responsável pela embarcação, a Oceanwide Expeditions, não havia pessoas apresentando sintomas ativos a bordo após a evacuação de três passageiros realizada na quarta-feira.
Dois passageiros franceses relataram à imprensa internacional que a rotina no navio permanece praticamente normal, apesar das medidas de vigilância adotadas pelas autoridades sanitárias.
Enquanto isso, equipes de saúde pública acompanham os deslocamentos de cerca de 30 passageiros que desembarcaram durante uma escala na ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, entre os dias 22 e 24 de abril.
A preocupação aumentou entre os moradores da ilha britânica, que possui aproximadamente 4.400 habitantes. Ainda assim, autoridades locais informaram que a maioria da população não teve contato próximo com pessoas vindas da embarcação.
Países monitoram passageiros após desembarque
Diversos países iniciaram protocolos de rastreamento e isolamento preventivo após a confirmação das infecções.
Em Singapura, dois passageiros idosos que deixaram o navio foram colocados em isolamento até a conclusão dos exames laboratoriais. Um deles apresentava sintomas leves, como corrimento nasal.
Na França, um homem que viajou de avião ao lado de uma pessoa infectada também foi isolado após relatar sinais leves da doença. Medidas semelhantes foram recomendadas para contatos monitorados no Reino Unido, enquanto um cidadão dinamarquês optou por permanecer em autoisolamento, mesmo sem apresentar sintomas.
Entre as vítimas fatais está um passageiro holandês que morreu em 11 de abril. Sua esposa, que também havia participado da viagem, morreu posteriormente em Joanesburgo, na África do Sul.
O que é hantavírus e como ocorre a transmissão
O hantavírus é uma doença transmitida principalmente pelo contato com secreções de roedores infectados. A forma mais comum de infecção ocorre pela inalação de partículas presentes na urina, fezes e saliva desses animais.
Segundo o Ministério da Saúde, outras formas de transmissão incluem:
- contato do vírus com mucosas, como olhos, nariz e boca;
- ferimentos ou mordidas provocadas por roedores;
- transmissão entre pessoas em casos raros ligados ao hantavírus Andes, identificado principalmente na Argentina e no Chile.
Especialistas reforçam que esse tipo de transmissão humana continua sendo considerado incomum.
Sintomas do Hantavírus podem evoluir rapidamente
Os principais sintomas do Hantavírus costumam aparecer inicialmente de maneira semelhante a outras infecções virais, dificultando o diagnóstico precoce.
Fase inicial da doença
Nos primeiros dias, os pacientes podem apresentar:
- febre;
- dores musculares e articulares;
- dor de cabeça;
- dores lombares;
- desconforto abdominal;
- sintomas gastrointestinais.
Fase cardiopulmonar
Com a evolução da doença, os quadros podem se agravar rapidamente, incluindo:
- dificuldade para respirar;
- respiração acelerada;
- aumento da frequência cardíaca;
- tosse seca;
- queda da pressão arterial.
Autoridades de saúde alertam que o acompanhamento médico imediato é essencial em casos suspeitos, principalmente após exposição a ambientes com presença de roedores.
Conclusão
O surto registrado no cruzeiro MV Hondius colocou o hantavírus novamente no centro das atenções internacionais, especialmente devido à identificação de uma cepa associada a raros episódios de transmissão entre humanos. Apesar da preocupação, a OMS mantém a avaliação de que o risco de disseminação em larga escala permanece baixo.
Enquanto autoridades sanitárias seguem monitorando passageiros em diferentes países, especialistas reforçam a importância da vigilância e da identificação rápida dos sintomas para evitar novos casos e conter possíveis cadeias de transmissão.

