*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) em entrevista a imprensa na Assembleia Legislativa (ALMT) na última quarta-feira, dia 6 de maio, se defendeu das graves acusações de desvio de emendas parlamentares. O parlamentar negou qualquer irregularidade.
Um dos pontos mais sensíveis da operação, deflagrada pelo Ministério Público Estadual (MPE) no último dia 30 de abril, foi a apreensão de R$ 150 mil em espécie na casa do deputado. Durante entrevista à imprensa, Elizeu Nascimento afirmou categoricamente que o montante possui origem lícita e está devidamente declarado à Receita Federal.
Segundo o parlamentar, o valor seria utilizado para custear a pré-candidatura dele à reeleição.
“Normal, é normal, até porque está declarado. Se fosse ilícito, não estaria declarado e poderia levantar alguma suspeita. No período eleitoral, muitas vezes você tem um recurso ou na conta ou você tem um recurso em mãos. Esse recurso, no momento oportuno, você faz o depósito de doação de si para si mesmo. Isso aconteceu em 2018, em 2022, e é assim que você realiza o trabalho dentro da declaração de imposto de renda”, justificou Elizeu.
A investigação do MPE aponta que Elizeu teria destinado mais de R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Social Mato-grossense (Ismat). A suspeita é de que parte desses recursos retornava aos parlamentares por meio de saques em espécie realizados pelo empresário João Nery Chiroli, dono da Chiroli Esportes.
Elizeu, no entanto, defendeu o destino do dinheiro, vinculando-o à pauta da educação militar.
“Esse valor se refere a três anos de investimento na educação militar, nos quais conseguimos entregar aproximadamente 22 mil kits de uniforme, tanto para escolas Tiradentes quanto para a Dom Pedro. Portanto, os R$ 7,7 milhões se referem a entregas que impactam a vida do cidadão em mais de 25 escolas militares em todo o estado”, afirmou.
Um dos indícios mais comprometedores do inquérito relata que, no dia 16 de dezembro, o empresário João Nery Chiroli teria sacado R$ 350 mil em uma agência do Sicoob e entrado em um veículo que, segundo as investigações, pertenceria ao deputado Elizeu.
Questionado sobre a relação dele com os alvos e as provas colhidas, o parlamentar manteve a postura de tranquilidade, embora tenha admitido o impacto emocional da ação policial.
“Eu posso garantir que não devo [à Justiça]. Estou aqui, frente a frente com vocês, para prestar esse esclarecimento. A gente se sente abalado no primeiro momento”, confessou.
CONTEXTO DA OPERAÇÃO
A Operação Emenda Oculta tem como principais alvos o deputado Elizeu Nascimento e o irmão dele, o vereador por Cuiabá Cezinha Nascimento (União). Além das buscas e apreensões, a Justiça determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos e o bloqueio de bens.
O caso segue sob investigação do Ministério Público.
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