*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Em uma entrevista reveladora ao podcast BumlaiTalks realizada no último dia 28 de abril, o cientista e analista político Haroldo Arruda abriu o jogo sobre pretensões eleitorais, visão crítica do cenário nacional e a filosofia que sustenta sua trajetória de vida. Pré-candidato a deputado federal pelo partido Novo, Arruda defendeu que a política deve ser um “propósito coletivo” e não uma ambição isolada.

O ALICERCE FAMILIAR E A MISSÃO COLETIVA
Para Haroldo, a base de qualquer candidatura sólida começa dentro de casa. Ele enfatizou que a aprovação da família e dos pares é o termômetro para qualquer líder que pretenda alçar voos maiores.
“Sem eles eu não estaria aqui. A sua família precisa aprovar, para que realmente você possa alçar um universo maior. Se não tiver apoio dessas pessoas, esquece, a sua candidatura não vai vingar”, afirmou Arruda.
Ele destaca que seu projeto político foi construído degrau a degrau, visando Cuiabá e Mato Grosso, reforçando que sua entrada na disputa não é um desejo pessoal, mas um movimento de grupo.
O EMBATE CONTRA A ESQUERDA E A DEFESA DA DIREITA UNIDA
Haroldo Arruda não poupou críticas ao atual Governo Federal e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o maior desafio do Brasil hoje é “extirpar” a esquerda do poder.
“Eles só têm uma opção e é uma opção muito ruim e mentirosa, que mente copiosamente para a população brasileira, principalmente para os mais pobres. A direita tem que estar unida para poder ganhar a eleição no primeiro turno”, defendeu.
O analista associou a política da esquerda ao “controle” em vez da regulamentação, comparando ações brasileiras com as de regimes como o do Irã. Para ele, as licitações para monitorar críticas ao STF representam uma “ditadura e tirania” que destroem o contraponto fundamental da democracia.
EDUCAÇÃO, VOTO QUALIFICADO E CRÍTICA AO SISTEMA
Um dos pontos mais polêmicos da entrevista foi a discussão sobre a qualidade do voto e o papel da educação na formação do cidadão. Arruda questionou a liberdade e a consciência do voto de detentos, citando casos de crimes graves.
“Será que este voto vai ser livre? Vai ser consciente? Que qualidade de voto tem esse? Tudo em nome de democracia? Será que é correto deixar na mão de um assassino decidir o futuro do país?”, indagou o analista.
Para ele, a educação é o objeto central da política, pois é ela quem permite a formação de relações humanas mais qualificadas.
INFRAESTRUTURA, MONOPÓLIOS E SUSTENTABILIDADE
Ao abordar questões econômicas, Arruda criticou o monopólio da energia em Mato Grosso e a dependência do transporte rodoviário. Ele citou o aumento de mais de 30% na tarifa de luz como um fardo pesado para os mais pobres, e ainda defendeu investimentos em ferrovias, como a Ferrogrão.
“A hora que sair as ferrovias, elas tirarão 4 mil caminhões de circulação. Já parou pra pensar o quanto isso é bom para a natureza e questões ligadas à sustentabilidade?”, pontuou.
POLÍTICA COM EXTENSÃO DA ÉTICA E DA FILOSOFIA
Haroldo Arruda recorreu à Grécia Antiga para diagnosticar o que considera o maior mal da política moderna: a dissociação entre o fazer público e a conduta moral. Segundo o analista, na era de Aristóteles, política e ética eram um instrumento único.
Ele defende que a filosofia deve servir para que as relações humanas saiam do discurso e alcancem uma “consistência prática”, tornando-se mais harmoniosas e solidárias.
Para Arruda, o amadurecimento político passa por entender que a diferença é salutar e a imperfeição faz parte da vida, permitindo que as pessoas convivam com mais tolerância.
FÉ, SUPERAÇÃO DO CÂNCER E A FILOSOFIA DA LEVEZA
Haroldo também compartilhou um lado pessoal e vulnerável ao relatar sua luta contra um câncer de tireoide há quatro anos. Ele revelou que o momento da cirurgia foi o teste definitivo para sua espiritualidade.
“Quando você não precisa de Deus, a fé é fácil falar. Nos momentos mais difíceis da sua vida, você vai estar sozinho. Ou você acredita em Deus ou você não tem nada na sua vida”, desabafou.
Ele relatou que sua hiperatividade quase o impediu de cumprir o repouso médico, chegando a “fugir” para Campo Verde de moto apenas 20 dias após a cirurgia para evitar a depressão. Hoje, ele afirma viver de forma leve, buscando a felicidade no que possui e valorizando conexões humanas simples, como um abraço ou o nascer do sol.
CONSELHOS PARA A JUVENTUDE E CARREIRA
Encerrando com uma reflexão sobre o mercado atual, Arruda criticou a “era do copia e cola” nas redes sociais. Ele aconselhou os jovens a manterem a naturalidade e a simplicidade em vez de criarem personagens montados para o marketing digital.
“Você não pode ir nessa onda. Precisa ter personalidade naquilo que você tá fazendo. Uma coisa importante: você não vai ser ninguém se não tiver conteúdo”, concluiu o cientista político.
ACOMPANHE NA ÍNTEGRA A ENTREVISTA DADA POR HAROLDO ARRUDA

