*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), deflagrou na manhã desta quarta-feira, dia 22 de abril, a Operação Broquel. A ação visa desmantelar um esquema de desvio de benefícios assistenciais e exploração contra internos da Casa de Acolhimento Rogina Marques de Arruda, unidade voltada ao atendimento de homens adultos em situação de rua no município.
O ESQUEMA: PECULATO E INTIMIDAÇÃO
O principal alvo da operação é um ex-gerente da unidade, que ocupou o cargo até 2024. Segundo as investigações coordenadas pela Deccor, o suspeito se aproveitava da extrema vulnerabilidade dos acolhidos, muitos analfabetos, com dificuldades de comunicação, dependência química ou transtornos psiquiátricos, para se apropriar de seus documentos pessoais e cartões bancários.
A polícia identificou que o investigado realizava saques integrais dos benefícios assistenciais e chegava a contrair empréstimos consignados sem autorização. Em um dos casos, foi formalizado um empréstimo de R$ 16 mil em nome de um interno, com fortes indícios de fraude na contratação.
MÃO DE OBRA ESCRAVA E COAÇÃO
Além dos desvios financeiros, as denúncias apontam que o ex-gerente utilizava a mão de obra dos acolhidos para trabalhos não remunerados na propriedade particular dele. Para manter o controle dos valores desviados e garantir o silêncio das vítimas, o suspeito utilizava métodos de intimidação e coação.
Vale ressaltar que o regimento das Casas de Acolhimento proíbe terminantemente a retenção de documentos ou valores como condição para a permanência no local.
MEDIDAS JUDICIAIS
O investigado, que atualmente ocupava outro cargo na Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande, foi afastado imediatamente da função pública por determinação judicial. A Justiça também determinou impedimento de nova nomeação ou contratação pelo Poder Público Municipal, proibição de manter contato com as vítimas e proibição de acesso às dependências da Secretaria Municipal de Assistência Social de Várzea Grande.

