*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O vereador Chico 2000 (sem partido) reassumiu sua cadeira na Câmara Municipal de Cuiabá na última terça-feira, dia 7 de abril. O parlamentar estava afastado de suas funções públicas há 60 dias por determinação da Justiça, no âmbito da Operação Gorjeta, deflagrada em janeiro deste ano. O retorno ocorre após uma decisão unânime da Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
A DECISÃO JURÍDICA
No último dia 1º de abril, por três votos a zero, o colegiado do TJMT acatou um pedido de habeas corpus impetrado pela defesa do vereador. Os advogados sustentaram que não havia fundamentação baseada em fatos novos ou contemporâneos que justificassem a manutenção da medida cautelar de afastamento do cargo. Com o entendimento dos desembargadores de que o afastamento não era mais necessário para o curso das investigações, Chico foi autorizado a retomar o mandato.
RETORNO DISCRETO E POUCAS PALAVRAS
A volta de Chico 2000 foi marcada pela discrição. O vereador evitou falar com a imprensa local. Ao ser interpelado sobre a estratégia para provar sua inocência, o parlamentar foi sucinto.
“Meus advogados estão trabalhando e a eles compete essa resposta. Estou sempre tranquilo. Esta casa faz parte da minha vida, estou aqui há 20 anos”, afirmou.
Chico também comentou a decisão do plenário da Câmara, que recentemente optou por não abrir uma Comissão Processante contra ele, e negou que já esteja articulando apoio para a próxima eleição da Mesa Diretora.
HISTÓRICO
A Operação Gorjeta apura um esquema complexo de desvio de recursos públicos, peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, o grupo teria direcionado emendas parlamentares da Câmara e da Secretaria Municipal de Esportes para um instituto e uma empresa específica. Parte desses valores seria “devolvida” ao vereador como propina.
Este, contudo, não é o único problema jurídico de Chico 2000. O parlamentar acumula três operações em um curto intervalo:
-Operação Perfídia (2025): Resultou no seu primeiro afastamento do cargo.
-Operação Rescaldo (Junho/2025): Deflagrada pela Polícia Federal para apurar crimes eleitorais no pleito de 2024.
-Operação Gorjeta (Janeiro/2026): O caso mais recente que o manteve afastado nos últimos dois meses.
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Vídeo: Reprodução/ Midia News

