A subvariante Cicada da Covid-19, identificada como BA.3.2, passou a ser monitorada por especialistas após registros em diversos países. A linhagem já foi detectada em ao menos 23 nações e apresenta um número elevado de mutações, o que tem despertado atenção da comunidade científica, embora não haja evidências de maior gravidade nos casos.
O que é a subvariante Cicada
A chamada Cicada não é uma nova variante independente do coronavírus, mas sim uma sublinhagem da Ômicron. Isso significa que ela faz parte do processo contínuo de evolução do vírus, que sofre alterações genéticas ao longo do tempo para manter sua capacidade de transmissão.
De acordo com especialistas, desde o surgimento da Ômicron, o SARS-CoV-2 passou a evoluir de forma mais gradual, por meio de subvariantes. Diferente do que ocorreu anteriormente — quando variantes como Alfa e Delta surgiram com mudanças mais bruscas —, o cenário atual é marcado por adaptações progressivas.
Essas mutações são consideradas naturais e refletem a tentativa do vírus de contornar a imunidade adquirida pela população, seja por vacinação ou infecção prévia.
O que muda com a subvariante Cicada
O principal diferencial da Cicada está relacionado à proteína Spike, estrutura fundamental para a entrada do vírus nas células humanas.
Alto número de mutações
A BA.3.2 apresenta cerca de 75 mutações nessa proteína, número considerado elevado em comparação a outras sublinhagens recentes. Esse fator pode favorecer o chamado escape imunológico, quando o vírus consegue driblar parcialmente a resposta do sistema imunológico.
Na prática, isso pode aumentar a probabilidade de infecção, inclusive entre pessoas vacinadas ou que já tiveram Covid-19 anteriormente. No entanto, até o momento, não há indícios de aumento na gravidade da doença.
Sintomas permanecem semelhantes
Até agora, não foram identificadas mudanças significativas no quadro clínico associado à subvariante Cicada.
Os sintomas relatados seguem o padrão das variantes mais recentes da Ômicron, incluindo:
- Febre;
- Dor de garganta;
- Tosse;
- Coriza;
- Cansaço.
Especialistas apontam que a maioria dos casos continua sendo leve, sem aumento relevante de hospitalizações.
Possível chegada da Cicada ao Brasil
Até o momento, não há confirmação oficial da circulação da subvariante no Brasil. No entanto, considerando o histórico de disseminação rápida de novas linhagens pelo mundo, a introdução no país é considerada provável.
A experiência anterior da pandemia mostra que variantes identificadas em outros continentes tendem a se espalhar globalmente em curto espaço de tempo.
Queda na vacinação preocupa especialistas
Embora a subvariante Cicada esteja sendo monitorada, o principal ponto de atenção atual não está diretamente relacionado a ela, mas sim à redução na cobertura vacinal.
Grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças pequenas e gestantes, apresentam índices menores de vacinação recente. Isso mantém o risco de complicações, hospitalizações e mortes associadas à Covid-19.
Atualmente, a doença apresenta comportamento semelhante ao de vírus respiratórios sazonais, como a gripe, mas ainda com impacto relevante na saúde pública.

