O endividamento das famílias brasileiras se manteve elevado no início de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC). Em janeiro, o indicador permaneceu em 49,7%, repetindo o mesmo nível registrado no mês anterior. O índice considera a relação entre o total de dívidas e a renda acumulada pelas famílias ao longo de 12 meses.
Endividamento das famílias segue próximo do maior nível da série
Mesmo sem variação mensal, o índice continua muito próximo do maior patamar já registrado na série histórica, que foi de 49,9% em julho de 2022. O cenário indica que o endividamento segue em níveis elevados, refletindo o peso das obrigações financeiras no orçamento das famílias brasileiras.
Ao analisar os dados sem considerar o crédito imobiliário, houve uma leve alta. Nesse recorte, o percentual passou de 31,2% em dezembro para 31,3% em janeiro, sinalizando crescimento moderado das dívidas em outras modalidades de crédito.
Comprometimento da renda com dívidas aumenta
Outro dado relevante divulgado pelo Banco Central mostra que o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas também apresentou aumento. O índice subiu de 29,2% para 29,3% no período analisado. Quando desconsiderados os financiamentos habitacionais, o avanço foi mais expressivo, passando de 26,9% para 27,1%. Esses números indicam que uma parcela maior da renda das famílias está sendo destinada ao pagamento de compromissos financeiros.
De acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC), cerca de 80,2% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida. O dado reforça a amplitude do fenômeno e demonstra que o endividamento está presente na maior parte dos lares do país.
Crescimento do crédito impulsiona indicadores
O Banco Central também apontou aumento em modalidades específicas de crédito. O estoque de crédito habitacional para pessoas físicas cresceu 0,8% em fevereiro, na comparação com janeiro, alcançando R$ 1,326 trilhão. Em 12 meses, a alta acumulada foi de 11,6%.
Já o crédito voltado à aquisição de veículos apresentou expansão de 1,3% no mês, totalizando R$ 408,482 bilhões. No acumulado anual, o crescimento chegou a 16,2%, indicando maior demanda por financiamentos nesse segmento.
Inflação segue em trajetória de alta nas projeções
Paralelamente aos dados de crédito, o Boletim Focus do Banco Central revelou aumento nas projeções de inflação. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,31% para 4,36%, marcando a quarta alta consecutiva. Há quatro semanas, a previsão estava em 3,91%, o que demonstra uma tendência de elevação nas expectativas do mercado.
Projeções para os próximos meses e anos
Para março, a estimativa do IPCA avançou de 0,46% para 0,55%, enquanto para abril passou de 0,46% para 0,48%. Já a inflação acumulada em 12 meses foi registrada em 4,09%. As projeções de longo prazo também indicam alta. Para 2027, a expectativa subiu para 3,85%, enquanto para 2028 chegou a 3,60%, acumulando semanas consecutivas de crescimento.

