*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso, através da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Draco, detalhou as motivações por trás da Operação Ruptura CPX. Segundo as investigações, a célula criminosa desarticulada tentava transformar o Residencial Isabel Campos em um “complexo” dominado, mimetizando a estrutura de facções do Rio de Janeiro, tentativa que foi prontamente barrada pelo setor de inteligência.
O delegado Antenor Júnior Pimentel Marcondes, da GCCO/Draco, destacou que o uso do termo “CPX” (abreviação de Complexo, comum em favelas cariocas) acendeu o alerta da polícia. Contudo, ele fez questão de reforçar a autoridade do Estado sobre qualquer território em Mato Grosso.
“Eles denominavam o local vulgarmente de complexo, ou CPX. Longe de dizer que está perto do que acontece no Rio de Janeiro, por exemplo, não temos a percepção de que o nosso Estado está nesse ponto. De forma alguma, desconhecemos algum local onde a polícia não entre. Todos os locais, a polícia no Estado do Mato Grosso entra”, afirmou o delegado.
Sobre o envolvimento do MC O.G.N.C., um dos principais alvos da operação, o delegado foi enfático sobre a fronteira entre a liberdade de expressão e a atividade criminosa.
“Tem um limite entre a manifestação artística, a apologia e a promoção da facção. No contexto da investigação, se aproximou mais da promoção da facção criminosa”, explicou Antenor Pimentel.
ESTRATÉGIA DE “POVOAMENTO SELETIVO”
A investigação revelou uma tática audaciosa: a facção monitorava quem entrava e saía do residencial e impunha regras próprias. O objetivo era realizar um “povoamento seletivo”, dando preferência para que apenas membros do grupo ocupassem as moradias na invasão, criando um bunker logístico para o crime organizado na Baixada Cuiabana.
A organização possuía uma divisão de tarefas digna de empresa, operando em diversas frentes, como a utilização de figuras artísticas (MC) para fortalecer a imagem do grupo e atrair jovens, além de movimentação de valores ilícitos através de contas de “laranjas”.
Ao todo, 20 ordens judiciais foram expedidas, com 13 mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, abrangendo Cuiabá, Várzea Grande e São Paulo (SP).
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