*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O cenário político nacional foi sacudido na última terça-feira, dia 24 de março, pela decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a conversão da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro em regime domiciliar. A medida, embora aguardada pela defesa, gerou forte reação de aliados, como o deputado federal Coronel Assis (PL-MT), que questionou o rigor das restrições impostas.
SAÚDE FRAGILIZADA E TRANSFERÊNCIA
Jair Bolsonaro estava internado no Hospital DF Star, em Brasília, desde o dia 13 de março, para o tratamento de uma infecção pulmonar severa decorrente de uma broncoaspiração. Segundo a decisão proferida ontem, a permanência em domicílio terá um prazo inicial de 90 dias, período em que o ex-presidente deverá fazer uso de tornozeleira eletrônica.
Para o deputado Coronel Assis, a decisão judicial tardou a reconhecer a gravidade do quadro clínico do ex-presidente.
“É uma medida que chega apenas após o estado de saúde ter se agravado de forma considerável. A prisão domiciliar era necessária desde o começo”, avaliou o parlamentar mato-grossense.
RESTRIÇÕES SEVERAS E CRÍTICAS DE ASSIS
A decisão de Moraes não se limitou ao isolamento físico, mas impôs um rígido cerceamento de comunicação e convívio social. Bolsonaro está proibido de utilizar celulares, redes sociais ou qualquer outro meio de comunicação, seja de forma direta ou por intermédio de terceiros.
O magistrado limitou o acesso dos filhos, que só poderão visitar o pai às quartas-feiras e aos sábados. Médicos e advogados mantêm acesso livre.
Além disso, as visitas de aliados políticos e amigos estão suspensas pelos próximos três meses.
Foi proibida ainda a realização de acampamentos ou qualquer tipo de manifestação nas proximidades da residência do ex-presidente.
Assis comparou o tratamento atual com episódios passados da política brasileira.
“Estamos diante de dois pesos e duas medidas. Na época da prisão do atual presidente, permitiu-se um acampamento permanente em frente à sede da Polícia Federal. Agora, cerceiam-se até atos de apoio ao maior líder da direita”, criticou o deputado.

