*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O deputado estadual Júlio Campos (União) não poupou palavras ao analisar o atual momento de turbulência interna da própria sigla em Mato Grosso. Em conversa com a imprensa na última semana, o político disparou críticas sobre a falta de uma candidatura ao Governo do Estado em 2026, fator que, segundo ele, está afugentando lideranças expressivas e pode condenar o partido ao “terceiro escalão” no futuro.
A declaração ocorre em um momento sensível, logo após a confirmação da saída do deputado federal Coronel Assis, que trocou o União Brasil pelo Partido Liberal (PL).
Para Júlio Campos, a saída de Assis já era uma “morte anunciada”. O deputado lembrou que, desde o ano passado, o parlamentar federal já manifestava identificação profunda com o campo bolsonarista, o que tornava a permanência dele no União insustentável a longo prazo.
No entanto, o problema central apontado por Júlio não é apenas a ideologia, mas a falta de entusiasmo dentro da própria sigla.
“Ninguém se entusiasma em ir para um partido que não tem candidato a governador”, sentenciou Júlio, apontando o vácuo de poder que se desenha para o próximo pleito majoritário.
Outro ponto crítico abordado por Júlio foi a possível saída de Dilmar Dal’ Bosco. Rumores indicam que Dilmar estaria de malas prontas para o PRD para buscar sua reeleição, movimento que Júlio acredita que ainda pode ser evitado caso o União apresente uma “definição correta”.
“O Dilmar é uma liderança expressiva, fundador do partido, presidente, trabalha muito pela sigla. Eu acredito que, se o partido tiver uma definição correta, ele fica”.
A crítica mais ácida de Júlio Campos foi direcionada à perda de espaço político do União Brasil no cenário estadual. Ele comparou a força atual da sigla, que elegeu o governador Mauro Mendes, com o que restaria do partido sob uma gestão de outra legenda em 2027.
Para o deputado, sem uma candidatura própria ao governo, o União corre o risco de se tornar irrelevante.
“O que vai sobrar para a União Brasil? Nada. Se neste governo, que o partido elegeu o governador, teve uma secretaria, imagina em um governo de outro partido. Talvez consiga uma secretaria ‘extraordináriazinha’, de terceiro escalão”, ironizou.
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