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13 de março de 2026 17:11

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OpiniãoMT > Blog > Saúde > Cientistas criam minirrobôs que dissolve pedras nos rins sem cirurgia
Saúde

Cientistas criam minirrobôs que dissolve pedras nos rins sem cirurgia

Tecnologia com minirrobôs guiados por magnetismo promete dissolver pedras nos rins diretamente no trato urinário, reduzindo a necessidade de cirurgia.

última atualização: 13 de março de 2026 10:18
Redação OPMT
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7 Minutos de Leitura
Cientistas criam minirrobôs que dissolve pedras nos rins sem cirurgia
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Pesquisadores desenvolveram uma tecnologia inovadora baseada em minirrobôs capazes de dissolver pedras nos rins diretamente dentro do trato urinário, sem a necessidade de procedimentos cirúrgicos invasivos. O avanço foi apresentado em um estudo publicado na revista científica Advanced Healthcare Materials e descreve dispositivos microscópicos guiados por campos magnéticos que transportam uma enzima responsável por modificar a química da urina e favorecer a dissolução do cálculo renal.

Nos experimentos realizados em laboratório, a técnica demonstrou potencial significativo ao reduzir cerca de 30% da massa de cálculos renais formados por ácido úrico em um período de cinco dias. Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que a tecnologia ainda está em fase experimental e precisa passar por novas etapas de avaliação antes de ser utilizada em pacientes.

Como os minirrobôs atuam na dissolução das pedras

Nem todas as pedras nos rins possuem a mesma composição. Em aproximadamente 13% dos casos, os cálculos renais são formados principalmente por ácido úrico, que tende a cristalizar quando a urina apresenta níveis elevados de acidez.

Nesse contexto, um dos métodos utilizados na medicina é alterar o pH da urina, tornando-a menos ácida. Quando isso ocorre, os cristais de ácido úrico podem começar a se dissolver gradualmente.

A tecnologia desenvolvida pelos cientistas busca reproduzir esse processo diretamente no local onde a pedra está localizada. Para isso, cada dispositivo transporta uma enzima chamada urease, capaz de provocar uma reação química ao entrar em contato com substâncias presentes naturalmente na urina.

Reação química que altera o pH

A urease transportada pelos robôs reage com a ureia presente no organismo. Esse contato desencadeia uma reação que libera amônia e dióxido de carbono, provocando o aumento do pH da urina.

Com a alteração do ambiente químico, a urina se torna menos ácida, criando condições favoráveis para a dissolução dos cristais de ácido úrico. Durante os testes laboratoriais, os pesquisadores observaram que o pH da urina passou de aproximadamente 6 para cerca de 7, considerado um nível adequado para facilitar a dissolução desse tipo de cálculo renal.

Estrutura e funcionamento dos dispositivos

Os minúsculos robôs possuem dimensões reduzidas, com cerca de 1 milímetro de espessura e aproximadamente 12 milímetros de comprimento. Esse tamanho permite que eles se movimentem pelo trato urinário sem causar obstruções.

A estrutura é composta por um material semelhante a um hidrogel, com propriedades parecidas às de uma gelatina. No interior do dispositivo existe um pequeno ímã microscópico, responsável por permitir o controle de movimentação por meio de campos magnéticos externos.

Como seria o procedimento médico

A proposta apresentada pelos cientistas prevê um procedimento relativamente simples. O robô seria inserido no sistema urinário por meio de um cateter fino, alcançando inicialmente a bexiga. Após a introdução, campos magnéticos externos seriam utilizados para conduzir o dispositivo até a região onde se encontra o cálculo renal. Uma vez posicionado próximo à pedra, o robô iniciaria a reação química responsável por alterar o pH da urina e favorecer a dissolução do cálculo.

De acordo com a engenheira biomédica Veronika Magdanz, da Universidade de Waterloo, no Canadá, os dispositivos são altamente sensíveis ao magnetismo. Isso significa que forças magnéticas relativamente fracas já seriam suficientes para controlá-los dentro do organismo.

Tempo necessário para dissolver o cálculo

O tempo para que uma pedra nos rins seja dissolvida pode variar de acordo com diversos fatores, especialmente o tamanho do cálculo. Segundo os pesquisadores envolvidos no estudo, o processo pode levar desde alguns dias até algumas semanas. No entanto, a dissolução completa nem sempre é necessária para que o organismo elimine o cálculo.

Pedras renais com aproximadamente 4 milímetros ou menos podem ser expelidas naturalmente pela urina. Assim, o objetivo da tecnologia seria reduzir o tamanho do cálculo até que ele possa ser eliminado sem intervenção médica mais invasiva.

Como os dispositivos seriam removidos do corpo

Após o tratamento, os dispositivos não precisariam necessariamente ser retirados por cirurgia. Os cientistas apontam duas possibilidades principais. A primeira seria a eliminação natural do robô juntamente com a urina. A segunda alternativa seria a remoção por meio de um ímã externo, capaz de atrair o dispositivo para fora do organismo.

Essa abordagem pode reduzir ainda mais a necessidade de procedimentos invasivos, tornando o tratamento potencialmente mais simples e menos desconfortável para os pacientes.

Desafios antes da aplicação clínica

Embora a tecnologia apresente resultados iniciais promissores, os pesquisadores destacam que ainda existem vários desafios a serem superados antes da aplicação em humanos.

Até o momento, os testes foram realizados apenas em urina sintética e em modelos artificiais do trato urinário produzidos com impressoras 3D. Dessa forma, ainda será necessário estudar o comportamento dos dispositivos em organismos vivos.

Próximas etapas da pesquisa

Entre os principais pontos que ainda precisam ser investigados estão:

  • a capacidade de visualizar e controlar os robôs com precisão dentro do corpo humano;

  • o funcionamento do sistema em condições reais de fluxo urinário;

  • possíveis reações inflamatórias ou respostas do sistema imunológico.

Apesar de os materiais utilizados serem considerados biocompatíveis, testes adicionais são necessários para confirmar a segurança da tecnologia.

Os pesquisadores estimam que o desenvolvimento completo, incluindo aprovação regulatória e financiamento para novas pesquisas, pode levar vários anos antes de testes em humanos serem iniciados.

Possíveis aplicações futuras

Se os estudos confirmarem a eficácia da técnica, o método poderá beneficiar principalmente pacientes que sofrem com formação recorrente de cálculos renais ou aqueles que não podem passar por procedimentos cirúrgicos devido a outras condições de saúde.

Além disso, a tecnologia abre possibilidades para outras aplicações médicas. No futuro, dispositivos semelhantes poderiam ser utilizados para transportar medicamentos diretamente ao trato urinário, como antibióticos para o tratamento de infecções crônicas.

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