A investigação sobre possíveis irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ganhou novos desdobramentos após relatos envolvendo uma amiga de Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A lobista Roberta Luchsinger, apontada como próxima de Fábio Luís Lula da Silva, teria enviado um recado considerado ameaçador a um auxiliar ligado ao presidente, segundo informações divulgadas pela revista Veja.
De acordo com a publicação, o contato foi feito por meio de um intermediário e indicaria que a lobista estaria preocupada com o avanço das investigações. Ainda segundo o relato, a amiga de Lulinha teria demonstrado inconformismo com a possibilidade de enfrentar as consequências do caso sozinha, buscando algum tipo de respaldo político diante do cenário investigativo.
Amiga de Lulinha teria enviado recado a auxiliar de Lula
Conforme a reportagem da revista, o emissário responsável pelo contato informou que Roberta Luchsinger estaria “desesperada” com o andamento das apurações. O recado teria sido direcionado a um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o relato, a mensagem transmitida indicava que a lobista não aceitaria ser abandonada durante o processo investigativo. A declaração teria sido interpretada como um alerta sobre possíveis consequências caso ela enfrentasse as acusações sem apoio.
O caso ganhou repercussão em meio ao avanço das investigações que envolvem supostas irregularidades dentro do INSS, investigadas por uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).
Decisão do STF sobre sigilo da investigada
A situação também envolve decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta semana, o ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de um pedido da CPMI do INSS que buscava a quebra do sigilo de Roberta Luchsinger.
Dino, que anteriormente ocupou o cargo de ministro da Justiça no atual governo, analisou o pedido apresentado pela comissão parlamentar. No entanto, outro ministro do STF, André Mendonça, já havia autorizado anteriormente o acesso a determinados dados relacionados à investigação. A divergência entre as decisões contribuiu para ampliar o debate sobre os limites de atuação da comissão e do Judiciário no caso.
PF aponta atuação de lobista em grupo investigado
A Polícia Federal também aponta que Roberta Luchsinger teria papel relevante em um grupo investigado por suspeitas de irregularidades ligadas ao INSS. A lobista é neta e herdeira de um antigo acionista do banco Credit Suisse.
Em dezembro de 2025, agentes federais cumpriram um mandado de busca e apreensão em um imóvel ligado a ela no bairro de Higienópolis, na cidade de São Paulo. A operação fez parte das diligências conduzidas no âmbito da investigação sobre o grupo suspeito. Segundo a Polícia Federal, a amiga de Lulinha integraria o núcleo político do grupo investigado.
Estrutura financeira investigada
De acordo com os investigadores, o grupo teria sido liderado por Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. As suspeitas indicam que Luchsinger atuaria na movimentação de recursos financeiros e na administração de empresas utilizadas, supostamente, para ocultação de patrimônio.
Relatórios da Polícia Federal também mencionam que o nome de Fábio Luís Lula da Silva aparece três vezes nos autos da investigação. Um ex-sócio de Antunes afirmou que Lulinha teria mantido sociedade com Luchsinger em um projeto relacionado à cannabis medicinal. O depoimento também cita a existência de um pagamento de cerca de R$ 25 milhões vinculado a um negócio envolvendo kits de dengue, além de uma suposta mesada no valor de R$ 300 mil.
Registros de viagens também aparecem na investigação
Outro elemento citado pelos investigadores envolve registros de viagens. Segundo a Polícia Federal, passagens aéreas teriam sido emitidas com o mesmo localizador para Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva. Para os agentes, esse tipo de registro pode indicar proximidade ou relação entre os dois. Entretanto, as investigações seguem em andamento e as informações ainda são objeto de análise pelas autoridades responsáveis.
Enquanto isso, Lulinha também está entre os nomes analisados pela CPMI do INSS. A comissão parlamentar aprovou medidas para acessar seus dados bancários e fiscais como parte das diligências.

