O Brasil começou 2026 com desempenho expressivo nas exportações de carne bovina, registrando resultados históricos nos dois primeiros meses do ano e consolidando sua posição de liderança no comércio global da proteína. O avanço ocorre em um contexto de menor oferta internacional e de transição no ciclo pecuário brasileiro, fatores que contribuem para sustentar preços e ampliar a competitividade do produto nacional.
Exportações de carne bovina registram embarques históricos
Os dados mais recentes apontam que janeiro foi marcado pelo maior volume já exportado para o período. Conforme informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compiladas pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o país embarcou 264 mil toneladas no primeiro mês do ano. O volume representa crescimento de 26,1% em comparação com janeiro de 2025.
Em termos de receita, o avanço foi ainda mais significativo. O faturamento alcançou US$ 1,404 bilhão, alta de 40,2% frente ao mesmo mês do ano anterior.
Em fevereiro, o ritmo acelerado se manteve. Até a terceira semana, com apenas 13 dias úteis contabilizados, os embarques de carne bovina in natura já somavam 192,7 mil toneladas. O volume superou o total exportado em todo o mês de fevereiro de 2025, quando foram registradas 190,4 mil toneladas. A média diária atingiu 14,8 mil toneladas, crescimento de 55,7% na comparação anual.
O preço médio por tonelada também apresentou valorização de 13,9%, chegando a US$ 5.613. Projeções do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que fevereiro pode encerrar com aproximadamente 266,8 mil toneladas embarcadas, o que configuraria novo recorde para o mês.
Principais destinos das vendas externas
A China permanece como principal compradora, respondendo por 46,8% do valor total exportado em janeiro. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com aumento de 63% no volume adquirido no período.
Outros mercados também ampliaram as compras, como Vietnã e Peru, ambos com crescimento de 41%, além das Filipinas, que registraram expansão de 159% nas aquisições.
Novos mercados ampliam alcance internacional
O governo federal anunciou recentemente a conclusão de tratativas sanitárias que permitem a exportação de carne moída ao México. O produto, de maior valor agregado, é destinado tanto ao varejo quanto à indústria alimentícia.
Em 2025, o México importou mais de US$ 3,1 bilhões em produtos agropecuários brasileiros. Com a nova autorização, o Brasil soma 539 mercados abertos desde o início de 2023, sendo 14 apenas em 2026, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
De acordo com o presidente da Abiec, Roberto Perosa, a carne bovina brasileira está presente atualmente em 177 países, o que contribui para manter o fluxo de embarques e fortalecer a presença do produto em mercados estratégicos.
Oferta reduzida influencia cenário de preços
O avanço das exportações ocorre simultaneamente à mudança no ciclo pecuário nacional. Após um período de abate elevado de fêmeas, produtores passaram a reter matrizes para recomposição do rebanho, diminuindo a disponibilidade de animais para abate no curto prazo.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta retração de 4,5% na produção de carne bovina em 2026. Já o Rabobank estima queda entre 5% e 6% no mesmo período.
No cenário internacional, a produção também enfrenta limitações, especialmente nos Estados Unidos e no Canadá. Esse ambiente de oferta global mais enxuta reforça o papel do Brasil como fornecedor estratégico, diante de um possível déficit mundial estimado em até 2 milhões de toneladas.

