A morte do cão Orelha voltou ao centro das investigações após a divulgação de um relatório da Polícia Científica de Santa Catarina que afasta a existência de fraturas causadas por ação humana. O documento, elaborado a partir de exames periciais minuciosos, não confirmou agressões com objetos perfurantes, mas também não determinou a causa exata do óbito, mantendo o caso em aberto.
O material técnico foi produzido pelos peritos Igor de Salles Perecin e Paulo Eduardo Miamoto Dias, que realizaram uma avaliação detalhada da estrutura óssea do animal. O estudo analisou cada osso do esqueleto, com o objetivo de identificar possíveis sinais de violência física que pudessem ter contribuído para a morte.
Orelha: perícia descarta fraturas e perfuração por prego
De acordo com o relatório, não foram encontradas fraturas compatíveis com agressões diretas. A análise também rejeitou a hipótese de que o cão teria sido atingido na cabeça por um prego, informação que circulou amplamente nas redes sociais e em parte da cobertura jornalística.
Os especialistas explicaram que, caso houvesse penetração de um objeto metálico no crânio, seria esperado encontrar uma fratura circular característica. Esse tipo de marca não foi identificado durante os exames técnicos. A conclusão, portanto, afasta essa possibilidade específica, embora não esclareça de forma definitiva o que levou à morte do animal.
Possibilidade de trauma não é descartada
Mesmo sem evidências de fraturas ósseas, os peritos ressaltaram que a inexistência desse tipo de lesão não significa, necessariamente, ausência de trauma. Segundo os profissionais, danos no tecido cerebral ou em partes moles do corpo podem ocorrer sem deixar vestígios no esqueleto.
No relatório, os especialistas alertam que a falta de alterações ósseas não deve ser interpretada automaticamente como inexistência de agressão. Lesões cranioencefálicas, por exemplo, podem não gerar fraturas visíveis, mas ainda assim provocar consequências graves.
Investigação sobre a morte de Orelha
A exumação do corpo foi realizada neste mês a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), dentro do procedimento que apura as circunstâncias do caso. A medida teve como objetivo permitir uma nova análise técnica, diante das controvérsias e questionamentos levantados desde o início da investigação.
Um adolescente de 15 anos chegou a ser apontado como suspeito de espancar o animal no dia 4 de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis. Apesar da acusação, a Polícia Civil informou que não apresentou provas conclusivas que comprovassem a participação dele ou de outros jovens no suposto ataque.
Análise de imagens e lacunas apontadas
Conforme consta no relatório policial, que tramita sob sigilo, foram examinadas mais de mil horas de gravações. Ainda assim, segundo os investigadores, nenhuma das imagens analisadas registra o momento em que o cão teria sido agredido.
O Ministério Público identificou falhas e pontos que necessitam de esclarecimentos adicionais, especialmente no que se refere à reconstrução cronológica dos fatos. O órgão também apura eventual quebra de sigilo funcional atribuída ao delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, sob a suspeita de divulgação de informações restritas obtidas em razão do cargo.
Diante desse cenário, o MPSC concluiu que a investigação ainda demanda aprofundamento, com coleta de novos elementos que possam trazer maior precisão sobre o que ocorreu.

