A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social aprovou, nesta quinta-feira (26), a quebra de sigilos bancário e telemático de Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi tomada durante reunião do colegiado, que acabou sendo interrompida após um episódio de forte tensão entre parlamentares.
Logo após a deliberação que autorizou a quebra de sigilos de Lulinha, o ambiente no plenário se tornou conturbado. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) reagiu de forma exaltada e avançou em direção ao presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), além de discutir com outros integrantes do colegiado.
Lulinha é alvo de investigação na CPMI do INSS
A inclusão de Lulinha entre os investigados ocorreu após desdobramentos de apurações relacionadas a possíveis irregularidades no INSS. Parlamentares da comissão aprovaram o acesso a dados bancários e telemáticos com o objetivo de aprofundar as investigações.
Segundo informações apresentadas durante os trabalhos da CPMI do INSS, o nome de Lulinha passou a ser citado em meio a apurações que envolvem o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Ele é apontado como personagem central nas suspeitas analisadas pelo colegiado.
Diálogos e movimentações financeiras
Relatos divulgados indicam que conversas atribuídas ao empresário mencionariam o pagamento de R$ 300 mil à empresa de Roberta Luchsinger. De acordo com as informações tornadas públicas, o destino final da operação teria sido indicado como “o filho do rapaz”, referência que motivou questionamentos no âmbito da comissão.
Além disso, reportagens veiculadas na quarta-feira (25) apontaram que ex-dirigentes do INSS teriam feito declarações envolvendo Lulinha e outros agentes políticos. A partir dessas informações, integrantes da oposição intensificaram pedidos de medidas cautelares.
O deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS), por exemplo, solicitou a prisão preventiva do filho do presidente da República, com base nos elementos apresentados durante as discussões.
Confusão marca encerramento da sessão
Após a votação que autorizou a quebra de sigilos, o clima no plenário se agravou. Mesmo com a interrupção da transmissão oficial, a discussão continuou entre parlamentares.
Durante o tumulto, o chefe de gabinete de Rogério Correia tentou acessar a área restrita a congressistas e assessores. A entrada, no entanto, foi impedida por determinação do responsável pelas comissões do Departamento de Polícia Legislativa, que orientou para que não fossem autorizadas novas pessoas no espaço reservado.
Apesar da orientação, o assessor insistiu na tentativa de ingresso, sob o argumento de que buscava acalmar o deputado, que, segundo relatos, estava alterado em razão dos acontecimentos envolvendo a CPMI do INSS.
A cena foi acompanhada por presentes no local e reforçou o clima de tensão que marcou a reunião.
Próximos passos da investigação
Com a aprovação da quebra de sigilos, a CPMI do INSS deverá analisar documentos e registros que possam esclarecer a eventual participação de Lulinha nas suspeitas investigadas. A comissão segue com cronograma de oitivas e diligências para apurar possíveis irregularidades no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social.
Os trabalhos do colegiado continuam sob forte polarização política, com embates frequentes entre parlamentares da base governista e da oposição.

