*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, na manhã desta quarta-feira, dia 25 de fevereiro, a Operação Safra Desviada. A megaoperação tem como objetivo desarticular uma sofisticada organização criminosa especializada no desvio de grandes cargas de grãos (soja, milho e algodão) e na lavagem de dinheiro.

O ALCANCE DA OPERAÇÃO
Ao todo, a Justiça determinou o cumprimento de 180 medidas cautelares, sendo 80 mandados de busca e apreensão realizados simultaneamente em residências, fazendas e empresas nos estados de Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Maranhão.

Em Mato Grosso, as ordens judiciais estão sendo cumpridas nos principais polos do agronegócio: Cuiabá, Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Colíder, Nova Ubiratã, Boa Esperança do Norte e Campo Verde.
O ESQUEMA: FRAUDE E MANIPULAÇÃO
Segundo as investigações, o grupo operava de forma infiltrada na logística de grandes produtoras, como o Grupo Lermen, que sofreu prejuízos milionários. A mecânica do crime envolvia furto qualificado de soja, milho e algodão durante o transporte ou armazenamento. Além de manipulação de registros internos das empresas para esconder as faltas de estoque e uso de empresas de fachada e movimentações financeiras incompatíveis para dissimular a origem dos valores. Foram identificados indícios de que o grupo utilizava sites de apostas (“bets”) para ocultar recursos ilícitos.
ASFIXIA FINANCEIRA E SEQUESTRO DE BENS
Para garantir o ressarcimento das vítimas e interromper o fluxo financeiro do crime, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 140 milhões. Valores congelados em contas bancárias de 56 alvos. Além do sequestro de veículos, sendo mais de 70 bens, entre caminhões, carretas e automóveis de luxo, foram apreendidos. Além disso, restrições foram aplicadas a propriedades de 20 pessoas físicas e jurídicas. Houve ainda o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de mais de 45 investigados.
CRIMES INVESTIGADOS
Os envolvidos no esquema responderão por uma extensa lista de delitos: formação de organização criminosa, furto qualificado, estelionato contra idoso, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
O Gaeco agora foca na extração de dados de celulares, computadores e mídias externas apreendidos para identificar outros possíveis beneficiários do esquema e a rede de receptadores das cargas desviadas.

