A Acadêmicos de Niterói deixou o Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro após o desfile que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A escola voltará a disputar a Série Ouro em 2027, equivalente à segunda divisão da folia carioca. A decisão dos jurados e a temática escolhida para a apresentação provocaram ampla repercussão, inclusive em veículos internacionais.
A agremiação, que estreou na elite do samba neste ano, apresentou um enredo centrado na trajetória política e pessoal de Lula, o que gerou reações distintas no Brasil e fora dele. O resultado da apuração confirmou a queda da escola após somar pontuação inferior às concorrentes.
Repercussão internacional sobre a Acadêmicos de Niterói
A cobertura da imprensa estrangeira destacou não apenas o desempenho da escola, mas também o contexto político do desfile. A BBC ressaltou que o Carnaval do Rio manteve sua tradição de cores intensas e coreografias marcantes, porém registrou que o evento foi marcado por debates políticos. A emissora mencionou a presença de Lula no Sambódromo da Marquês de Sapucaí e referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro, representado de forma caricatural em uma alegoria.
Segundo a BBC, opositores acionaram a Justiça alegando possível benefício eleitoral ao presidente. Também foram registradas críticas nas redes sociais a uma ala que retratava uma família tradicional dentro de uma “lata de conserva”, interpretação vista por alguns setores como ironia a valores conservadores.
O canal francês France24 informou que parte das críticas se concentrou em alas consideradas provocativas a grupos conservadores. A emissora destacou ainda que imagens exibidas nos ensaios técnicos já haviam causado controvérsia antes mesmo do desfile oficial. Apesar da expectativa em torno da estreia no Grupo Especial, os jurados não atribuíram notas suficientes para manter a escola na elite.
A agência EFE mencionou manifestações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que utilizou as redes sociais para comentar o resultado. Já a AFP apontou que a apresentação foi vista como histórica por homenagear um presidente em exercício, algo incomum no Carnaval carioca, e destacou que a escola recebeu as menores avaliações em diversos quesitos.
Notas e avaliação dos jurados
Na apuração oficial, a Acadêmicos de Niterói alcançou 264,6 pontos. A campeã Viradouro obteve 270 pontos, abrindo uma diferença de 5,4 pontos. Entre os quesitos com menor desempenho estiveram “fantasias”, com 29 pontos, “alegorias e adereços”, com 29,1, e “enredo”, que somou 29,3.
Os jurados analisaram critérios como evolução, harmonia, bateria, samba-enredo e conjunto alegórico. O resultado colocou a escola na última posição do Grupo Especial, determinando o retorno à Série Ouro.
Enredo e debate eleitoral
A Acadêmicos de Niterói apresentou o enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, narrando a trajetória do presidente desde a infância em Pernambuco até a atuação política nacional e internacional. O samba foi composto por um grupo de autores, incluindo Teresa Cristina, Paulo César Feital e André Diniz.
A escolha do tema ocorreu em ano eleitoral, o que ampliou o debate. O Tribunal Superior Eleitoral analisou pedidos para barrar a apresentação sob alegação de propaganda antecipada. Por unanimidade, os ministros decidiram não impedir o desfile, entendendo que uma proibição prévia configuraria censura. No entanto, alertaram que eventuais irregularidades poderiam ser avaliadas posteriormente.
Historicamente, homenagens a presidentes em exercício são raras na Marquês de Sapucaí. Há registros antigos, como a escola Deixa Falar, que mencionou Getúlio Vargas em 1932. No caso atual, o desfile entrou para a história pelo contexto político e pela repercussão internacional.

