A servidora da Receita Federal Ruth Machado dos Santos teve a defesa divulgada após ser alvo de operação da Polícia Federal sob suspeita de participação em suposto esquema de acesso indevido a dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares. Em nota pública, os advogados negaram qualquer envolvimento da servidora em irregularidades e destacaram sua trajetória de mais de três décadas no Fisco.
Segundo a manifestação, a carreira da servidora foi marcada por “correção, discrição e absoluto respeito às normas”. O texto, no entanto, não detalha se houve ou não acesso aos dados fiscais dos magistrados citados na investigação.
Servidora é alvo de operação autorizada por Alexandre de Moraes
A operação foi deflagrada na terça-feira (17.fev.2026) por determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito que apura o caso no âmbito do Supremo Tribunal Federal. A servidora integra um grupo composto por três auditores da Receita Federal e um funcionário do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).
Além de Ruth Machado dos Santos, também foram citados na decisão Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento e Ricardo Mansano de Moraes. Todos são investigados por suspeita de violação de sigilo fiscal de autoridades do Poder Judiciário.
Medidas cautelares impostas aos investigados
A decisão judicial determinou uma série de medidas cautelares contra os quatro investigados. Entre elas estão:
- cumprimento de mandados de busca e apreensão;
- afastamento temporário das funções públicas;
- quebra de sigilo telemático e fiscal;
- proibição de acesso às dependências do Serpro e da Receita Federal;
- impedimento de deixar a comarca, com recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana mediante uso de tornozeleira eletrônica;
- cancelamento de passaportes e proibição de saída do país.
As medidas foram autorizadas no contexto da investigação que apura possível vazamento de informações protegidas por sigilo fiscal.
Investigação sobre acessos indevidos a dados fiscais
De acordo com informações divulgadas pelo STF, a Receita Federal identificou “diversos e múltiplos acessos ilícitos” a dados fiscais de autoridades. A área técnica do órgão teria concluído que os acessos não apresentavam justificativa funcional.
O caso faz parte do inquérito conhecido como das fake news, instaurado em 2019 e que segue sob sigilo. A apuração busca esclarecer se houve quebra de sigilo envolvendo ministros da Corte e seus familiares, bem como identificar eventuais responsáveis.
Conforme apurado, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Receita Federal e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) informassem quem acessou os dados fiscais dos magistrados, além de detalhar em que circunstâncias e em quais datas os registros ocorreram. Esse tipo de consulta fica armazenado nos sistemas internos por meio de login e senha individualizados.
Defesa nega motivação política
Em nota, a defesa da servidora afirmou que ela não possui histórico de filiação partidária ou engajamento político que pudesse indicar eventual motivação de natureza política em sua atuação profissional. O advogado reforçou que a trajetória funcional foi construída ao longo de 32 anos de serviço público, sem registros de conduta incompatível com o cargo.
A investigação segue em andamento e tramita sob sigilo. Até o momento, não houve divulgação de denúncia formal ou conclusão do inquérito.

