*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O produtor rural e pré-candidato ao Senado, Antônio Galvan, oficializou a saída dele do partido Democracia Cristã (DC) por meio de um vídeo contundente nas redes sociais. A decisão ocorre após uma intervenção que destituiu o diretório regional e, segundo aliados, tentou “rifar” a candidatura de Galvan.
GALVAN: “NÃO SOU MAIS DC, MAS SIGO PRÉ-CANDIDATO”
Galvan adotou um tom de defesa da “direita raiz” e criticou o que chamou de covardia e abandono de princípios por parte da nova gestão partidária.
“Com a vinda de um novo presidente no partido, percebemos que o Democracia Cristã não existe mais. Ele não segue mais a regra da verdadeira democracia, da verdadeira bandeira”, afirmou Galvan.
O produtor rural ressaltou que sua pré-candidatura ao Senado é inegociável e que o rompimento foi motivado por uma percepção de “abusividade” e falta de coragem na defesa das liberdades.
“Vemos hoje a covardia de muitas pessoas que carregaram essa bandeira, mas não as defendem. Eu sigo pré-candidato do mesmo jeito”, pontuou, revelando já ter convites de pelo menos quatro legendas.
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HAROLDO ARRUDA: “FOI O PARTIDO QUE ROMPEU COM ELE”
O cientista político, analista político e pré-candidato a deputado federal, Haroldo Arruda, foi cirúrgico ao analisar o episódio. Para ele, a sigla priorizou conveniências momentâneas em detrimento da lealdade dos seus quadros.
“Na política existem dois tipos de partidos: os que constroem projetos e os que usam pessoas. Não foi o Antônio Galvan que rompeu com o partido, foi o partido que rompeu com ele. Quando chegou a hora da reciprocidade, ele recebeu silêncio, isolamento, abandono e traição”, declarou Arruda.
Para o analista, o DC revelou um cálculo de conveniência que pode afastar o eleitor.
“Quem trai seus próprios quadros, mostra como tratará os seus eleitores”, concluiu.
APOIO DO DEPUTADOE ESTADUAL, GILBERTO CATTANI
A saída de Galvan ecoou na Assembleia Legislativa. O deputado estadual Gilberto Cattani (PL), principal aliado do produtor, publicou um vídeo em defesa, questionando até mesmo o nome da sigla.
“O Democracia Cristã, se fosse cristão de verdade, não passaria a perna em ninguém. Fizeram um acordo para poder derrubar o Galvan”, disparou o parlamentar, garantindo que o nome do aliado estará nas urnas em 2026, independente de partido.
ENTENDA O CONFLITO
O estopim da crise foi a intervenção do diretório nacional, agora sob o comando de João Caldas (sucessor de Eymael). A cúpula nacional dissolveu o diretório regional, que era presidido pela esposa de Galvan, a advogada Paula Boaventura, sob acusação de infidelidade partidária.
O motivo real, contudo, seria o alinhamento de Galvan com o projeto nacional do PL e de Flávio Bolsonaro, enquanto o DC nacional planeja lançar o ex-ministro Aldo Rebelo à Presidência da República. Nos bastidores, o DC teria tentado rebaixar Galvan à disputa de deputado federal ou suplente de Janaina Riva (MDB), propostas que foram recusadas de imediato.
NOVA COMISSÃO DO DC EM MATO GROSSO
Presidente: Paulo César Oliveira
1º Vice-presidente: Etevaldo Balbino
Tesoureiro-geral: Douglas Borges
Secretária-geral: Bruna Vanessa
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