Após o influenciador e empresário mineiro Henrique Maderite, falecer vítima de um infarto fulminante no último dia 7 de fevereiro, a relação entre sinais no corpo com doenças cardiovasculares começou a ser compartilhada nas redes sociais. Uma dobra diagonal atravessando o lóbulo da orelha pode passar despercebida no dia a dia, mas há anos chama a atenção da comunidade médica. Conhecida como Sinal de Frank, a prega levanta questionamentos sobre sua possível relação com doenças cardiovasculares e segue sendo alvo de estudos científicos.
O que é o sinal de Frank?
O sinal de Frank consiste em uma prega oblíqua no lóbulo da orelha, geralmente inclinada em torno de 45 graus, que pode aparecer em uma ou nas duas orelhas. A característica recebeu esse nome em referência ao médico norte-americano Sanders T. Frank, que descreveu o achado em 1973 em uma publicação científica.
Na época, o pesquisador observou um grupo de pacientes que apresentava simultaneamente a dobra no lóbulo e sinais clínicos de comprometimento das artérias do coração. A partir dessa constatação inicial, surgiu a hipótese de que a alteração na orelha poderia indicar problemas cardiovasculares.
Estudos científicos e resultados observados
Desde a primeira descrição, diversas pesquisas buscaram entender se o sinal de Frank poderia funcionar como um marcador físico de doenças coronarianas. Revisões de literatura reuniram dados de estudos realizados em diferentes países, analisando pacientes submetidos a exames detalhados das artérias cardíacas.
Uma dessas análises avaliou centenas de indivíduos e identificou maior frequência de doença coronariana entre aqueles que apresentavam o sinal. Os resultados indicaram que a presença da prega teve alta especificidade, ou seja, foi mais comum em pessoas com alterações nas artérias do coração, embora a sensibilidade tenha sido considerada moderada.
Sensibilidade e especificidade do sinal de Frank
Em termos estatísticos, a sensibilidade representa a capacidade de um sinal identificar corretamente quem tem a doença. Já a especificidade indica a eficiência em reconhecer quem não apresenta o problema. Estudos mostraram que nem todos os pacientes com doença cardíaca possuem o sinal de Frank, mas, entre os indivíduos sem alterações coronarianas, a ausência da dobra é mais frequente.
Outro ponto destacado em pesquisas é o chamado valor preditivo positivo, que indica a probabilidade de uma pessoa ter a doença quando o sinal está presente. Em algumas análises, esse índice variou de forma significativa, reforçando que o achado não é conclusivo, mas pode levantar suspeitas clínicas.
Idade e fatores de risco associados
A relação entre o sinal de Frank e doenças do coração parece ser influenciada pela idade. Em pessoas mais jovens, especialmente abaixo dos 60 anos, a presença da dobra mostrou maior associação com alterações cardiovasculares. Com o avanço da idade, a prega pode surgir como consequência natural do envelhecimento da pele, devido à perda de colágeno e elasticidade.
Além disso, fatores de risco clássicos, como hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes e tabagismo, também são comuns entre indivíduos que apresentam a marca no lóbulo da orelha, o que dificulta estabelecer uma relação direta e isolada.
Possíveis explicações para a associação
Ainda não há consenso sobre o mecanismo que explicaria a ligação entre a orelha e o coração. Uma das hipóteses levantadas por pesquisadores envolve alterações nos pequenos vasos sanguíneos da região auricular. Estudos de autópsia identificaram danos vasculares e nervosos no lóbulo da orelha em alguns pacientes, o que poderia refletir processos semelhantes ocorrendo em outras partes do organismo, incluindo o sistema cardiovascular.
Essa teoria sugere que mudanças visíveis na orelha podem ser um reflexo de alterações internas mais amplas, especialmente relacionadas à saúde dos vasos sanguíneos.
Outras pregas observadas na orelha
Além do sinal de Frank, pesquisadores também analisaram a chamada prega anterotragal, localizada na parte anterior da orelha. Alguns estudos apontaram que a presença simultânea dessas duas pregas estaria associada a maior probabilidade de doença nas artérias do coração, aumentando o interesse clínico pela observação detalhada da orelha durante o exame físico.
O sinal de Frank permanece como um achado físico que desperta atenção na prática médica, mas não deve ser interpretado como diagnóstico de doença cardíaca. A observação da orelha pode auxiliar na triagem inicial e estimular a investigação de fatores de risco, porém a confirmação de problemas cardiovasculares depende de exames específicos e avaliação clínica adequada. Assim, a dobra no lóbulo funciona como um indicativo possível, e não como uma resposta definitiva sobre a saúde do coração.

