O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou requerimentos que solicitam a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes. A medida foi protocolada após a revelação de um contrato milionário firmado entre o escritório da advogada e o Banco Master, levantando questionamentos sobre a origem e a finalidade dos recursos envolvidos.
Pedido de quebra de sigilos da esposa de Moraes
Segundo o senador Alessandro Vieira, o acordo firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, no valor de R$ 129 milhões, apresenta características que destoam dos padrões normalmente praticados no mercado jurídico. Para o relator, há indícios de que os pagamentos possam não corresponder a serviços compatíveis com o montante envolvido.
O parlamentar sustenta que os valores pagos chamam atenção pela magnitude e pela falta de parâmetros semelhantes em contratos do mesmo segmento. Diante disso, a CPI avalia a necessidade de aprofundar as investigações para verificar se os recursos possuem origem lícita ou se estariam ligados a práticas ilegais.
Relação com investigações sobre lavagem de dinheiro
No requerimento apresentado, o relator associa o caso às apurações da Operação Carbono Oculto, que investiga esquemas de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis e no sistema financeiro. Conforme o documento, há suspeitas de que o Banco Master tenha sido abastecido com recursos provenientes de fraudes e do tráfico de drogas, supostamente ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com Vieira, existe a possibilidade de que os repasses ao escritório da esposa de Moraes não representem receita operacional legítima, mas sim a inserção de valores de origem ilícita no sistema financeiro formal, o que pode caracterizar, em tese, o crime de lavagem de dinheiro.
Convocação para depoimento na CPI
Caso os requerimentos sejam aprovados pela maioria dos 11 integrantes da comissão, Viviane Barci de Moraes será convocada a prestar depoimento. Por se tratar de convocação, o comparecimento será obrigatório. A próxima reunião da CPI do Crime Organizado está prevista para a quarta-feira (11), quando os pedidos deverão ser analisados.
Escritório e instituto sob investigação
Além da quebra de sigilos da esposa de Moraes, o relator também solicitou medidas semelhantes em relação ao escritório Barci e Barci, aberto em setembro de 2025, pouco antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Para o senador, o surgimento da empresa nesse período levanta suspeitas de possível blindagem patrimonial ou redirecionamento de recursos.
Outro ponto de atenção da CPI é o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, ligado à família do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Embora registrado como entidade voltada ao treinamento profissional, o instituto possui imóveis de alto padrão e veículos de luxo, o que, segundo Vieira, seria incompatível com a atividade econômica declarada.

