A família Toffoli passou a ser citada em investigações que envolvem fundos de investimento utilizados na aquisição de participações em um resort de luxo no Paraná. Documentos oficiais indicam que um executivo da Reag Investimentos representou um fundo que adquiriu parte da participação dos irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um empreendimento turístico avaliado em milhões de reais.
Participação da família Toffoli no Resort Tayayá
Registros da Junta Comercial do Paraná, obtidos por meio de apuração jornalística, apontam que o executivo Silvano Gersztel atuou como representante do fundo Arleen em uma sociedade com empresas pertencentes aos irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli, além de um primo do ministro do STF. O grupo era sócio do resort Tayayá, localizado no estado do Paraná.
Em setembro de 2021, o fundo Arleen adquiriu metade da participação que pertencia aos irmãos da família Toffoli. O valor da transação foi estimado em R$ 6,6 milhões, conforme os documentos analisados. O investimento total no empreendimento alcançou aproximadamente R$ 20 milhões, somando aportes realizados por dois fundos distintos.
Fundos administrados pela Reag Investimentos
Os fundos Arleen e Leal, ambos administrados pela Reag Investimentos, foram responsáveis pelos aportes no resort. Até o ano de 2025, esses fundos permaneceram como sócios das empresas responsáveis pelo controle do Tayayá, ao lado da família Toffoli.
Entre os meses de fevereiro e julho daquele ano, ocorreu a retirada gradual dos sócios, culminando na venda das participações para o advogado Paulo Humberto Barbosa. Após a conclusão das negociações, ele passou a deter o controle integral do empreendimento.
Investigações da polícia federal e a família Toffoli
Silvano Gersztel é alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga a suposta utilização de fundos da Reag para lavagem de dinheiro. As apurações envolvem empresários do setor de combustíveis ligados às distribuidoras Copape e Aster, suspeitas de conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com o Ministério Público, os fundos investigados teriam sido empregados na aquisição de usinas, postos de combustíveis e imóveis, com o objetivo de ocultar os verdadeiros proprietários e reduzir o pagamento de tributos. A Reag Investimentos, por sua vez, afirma não possuir qualquer vínculo com práticas ilícitas.
Outros desdobramentos envolvendo a Reag
Após a Operação Carbono Oculto, a Reag também passou a ser mencionada em apurações relacionadas a fraudes atribuídas ao Banco Master. Esses processos estão sob relatoria do ministro Dias Toffoli no STF, o que levantou questionamentos sobre possível impedimento em razão de vínculos indiretos envolvendo a família Toffoli.
A defesa de Daniel Vorcaro, citado em parte das investigações, declarou que ele não foi cotista nem gestor dos fundos mencionados e que desconhecia qualquer investimento relacionado ao resort Tayayá.

