*Sêmia Mauad/ Opinião MT
As equipes de mergulho e salvamento do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso iniciaram, na manhã desta quarta-feira, dia 31 de dezembro, o quarto dia consecutivo de buscas por Lucas Yerdliska e pelo piloto Vando Celso. Ambos desapareceram após o naufrágio de uma lancha no Lago do Manso, em Chapada dos Guimarães, ocorrido no último domingo, 28 de dezembro.
A operação conta agora com uma estrutura de força-tarefa composta pelo Corpo de Bombeiros, pela Marinha do Brasil, pela Polícia Militar Ambiental e pelo Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), que realiza sobrevoos na região. Além dos mergulhadores, os trabalhos incluem buscas superficiais com o uso de tecnologia de sonar acoplada às embarcações para tentar mapear o fundo do lago.
Na última segunda-feira, as equipes conseguiram localizar um colete salva-vidas e uma mochila pertencentes aos ocupantes. Apesar desses achados, a embarcação ainda não foi encontrada, o que torna o trabalho dos mergulhadores mais complexo devido à profundidade e à extensão do lago.
O NAURFRÁGIO
O incidente aconteceu durante um passeio de férias. A família, natural de Arapongas (PR), aproveitava o mês de dezembro para conhecer Mato Grosso. Segundo relatos, o dia estava ensolarado e o lago calmo até por volta das 16h30, quando um temporal repentino, fenômeno típico da região, atingiu a embarcação.
Em entrevista emocionante concedida à TV Centro América, Camila Mazzaron, esposa de Lucas, descreveu o pavor ao ver a lancha ser invadida pela água.
“Começou umas ondas muito fortes, um vento muito forte. O Vando tentava de tudo, mas a lancha não dava continuidade. Eu tive que virar de costas porque não conseguia ficar de frente, estava vindo muita água e eu estava com o neném de 1 ano no colo”, relembrou.
Camila conta que a embarcação virou instantaneamente após o motor ser desligado. No momento do naufrágio, ela apenas conseguiu abraçar os filhos para evitar que se perdessem na imensidão do lago.
O PEQUENO HERÓI DE 6 ANOS
A sobrevivência de Camila e do bebê de 1 ano deve-se à bravura e ao equipamento de segurança usado pelo filho mais velho, Bernardo, de 6 anos. Ele era o único ocupante da lancha que utilizava colete salva-vidas.
O menino conseguiu nadar até a praia de um condomínio próximo, onde pediu socorro. Graças ao alerta de Bernardo, o resgate foi feito.
“Ele que salvou a minha vida e a do irmão dele. Ele conseguiu chegar na praia e pediu ajuda. Eu já não estava vendo nada, era noite e eu só gritava para alguém me ouvir”, relatou a mãe, emocionada.
O Corpo de Bombeiros concentra os esforços em duas frentes:
-Mergulho: Busca subaquática no local provável do naufrágio para localizar a embarcação e possíveis vítimas presas ou próximas à estrutura.
-Busca Superficial e Terrestre: Varredura nas margens e áreas de mata densa que circundam o lago.
A esperança de Camila reside na força física do marido e na experiência de Vando Celso, que é guia turístico e profundo conhecedor da região.
“Eu acredito muito que eles estão dentro da mata. O Vando conhece muito o rio e a região, ele pode estar tentando ir para a chácara dele”, afirmou Camila.
VEJA VÍDEO DO TRABALHO DE BUSCAS DO CORPO DE BOMBEIROS

