O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, estabeleceu uma série de condições para a internação de Bolsonaro, prevista para ocorrer amanhã, 24 de dezembro, data em que o ex-presidente deverá ser submetido a uma cirurgia. A decisão detalha normas de segurança, restrições de visitas e procedimentos durante o período hospitalar, que será acompanhado de perto pela Polícia Federal.
Regras para a internação de Bolsonaro definidas pelo STF
De acordo com a determinação judicial, toda a logística de segurança durante a internação de Bolsonaro ficará sob responsabilidade da Polícia Federal. A escolta deverá ocorrer de forma discreta, desde a unidade da PF até o Hospital DF Star, localizado na Asa Sul, em Brasília. O desembarque do ex-presidente deverá ser feito exclusivamente pelas garagens do hospital, evitando exposição pública.
A decisão também estabelece que Bolsonaro será internado um dia antes do procedimento cirúrgico, com a cirurgia programada para o próprio dia de Natal. O ex-presidente foi diagnosticado com hérnia inguinal bilateral, condição que afeta ambos os lados da região da virilha e que, segundo laudo médico oficial, exige intervenção cirúrgica.
Restrições durante o período de internação
Entre as medidas impostas por Moraes, está a proibição do uso de aparelhos eletrônicos no quarto hospitalar. Computadores, celulares e outros dispositivos não poderão ingressar no local, com exceção apenas dos equipamentos médicos necessários ao tratamento. Caberá à Polícia Federal fiscalizar e garantir o cumprimento dessa restrição durante toda a internação de Bolsonaro.
No que diz respeito às visitas, a decisão judicial autorizou apenas a presença da esposa, Michelle Bolsonaro, como acompanhante. Ela poderá permanecer com o ex-presidente durante o período de internação, respeitando as normas internas do hospital. Já a presença dos filhos não foi liberada automaticamente. Qualquer visita adicional, incluindo a de familiares, dependerá de autorização prévia do Judiciário.
A defesa havia solicitado que Michelle fosse a acompanhante principal e que os filhos Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro atuassem como acompanhantes secundários, pedido que não foi integralmente aceito pelo ministro.
Escolta policial e contato com o hospital
Durante toda a internação, Bolsonaro será vigiado por dois agentes da Polícia Federal, em regime de 24 horas por dia. Alexandre de Moraes determinou ainda que a PF entre em contato antecipadamente com a direção do Hospital DF Star para alinhar as condições e os detalhes do procedimento hospitalar.
O relatório médico elaborado pela Polícia Federal indicou agravamento no quadro da hérnia ao comparar exames antigos com os mais recentes, realizados no dia 14. Segundo os peritos, houve progressão da condição, possivelmente causada pelo aumento da pressão intra-abdominal, associado a episódios frequentes de soluços e tosse crônica.
Bolsonaro está detido nas dependências da Polícia Federal desde 21 de novembro. A prisão começou como preventiva, mas foi mantida após o processo transitar em julgado. O ex-presidente foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão. Seus advogados têm utilizado o histórico de problemas de saúde, incluindo sequelas da facada sofrida em 2018, para solicitar a conversão da pena em prisão domiciliar, pedido que ainda não foi aceito.

