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Leia: Justiça da Bahia aciona Cláudia Leitte por trocar “Iemanjá” por “Yeshua” em música
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Brasil

Justiça da Bahia aciona Cláudia Leitte por trocar “Iemanjá” por “Yeshua” em música

MP da Bahia move ação contra Cláudia Leitte por mudança em letra de música e pede R$ 2 milhões por dano moral coletivo.

Redação OPMT
Publicado em: 19 de dezembro de 2025
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4 Minutos de Leitura
Justiça da Bahia aciona Cláudia Leitte por trocar Iemanjá por Yeshua em música
Cláudia Leitte durante apresentação em Cuiabá em 2025. Imagem: Redes Sociais.
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O Ministério Público da Bahia ingressou com uma ação civil pública contra Cláudia Leitte, acusando a cantora de prática de discriminação religiosa após a alteração de um trecho de uma música conhecida de seu repertório. A ação pede indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 2 milhões e aponta impacto negativo sobre religiões de matriz africana, segundo informações divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo.

Ação do Ministério Público contra Cláudia Leitte

A iniciativa judicial foi apresentada pela Promotoria de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa em conjunto com o Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural. De acordo com o Ministério Público, a conduta atribuída a Cláudia Leitte teria extrapolado o campo da liberdade artística e provocado ofensa coletiva a praticantes de religiões afro-brasileiras.

O órgão sustenta que a repercussão do caso foi ampliada pela projeção nacional da artista, o que, na avaliação dos promotores, intensifica os efeitos da mensagem transmitida ao público. Por esse motivo, o MP defende a necessidade de reparação coletiva e a adoção de medidas para evitar novas ocorrências semelhantes.

Alteração em música motivou a denúncia

A ação teve origem em uma representação protocolada por uma liderança religiosa e por uma entidade voltada à defesa das religiões de matriz africana. O documento aponta que, em apresentações realizadas recentemente, Cláudia Leitte teria substituído uma referência à orixá Iemanjá pelo termo Yeshua, nome real de Jesus em aramaico, em um trecho da canção “Caranguejo”.

Entendimento do MP sobre a mudança na letra

Segundo o Ministério Público, a modificação não pode ser caracterizada como um ato isolado de criação artística. A promotoria afirma que a alteração estaria relacionada à conversão religiosa da cantora e à influência de ambientes neopentecostais, que, conforme descrito na ação, costumam adotar posicionamentos críticos ou desqualificadores em relação às religiões de origem africana.

Para os promotores, esse contexto reforça a tese de que a mudança na letra ultrapassa a esfera pessoal e alcança dimensão coletiva, afetando a liberdade religiosa e o respeito à diversidade cultural.

Pedido de indenização e retratação pública

Além da indenização de R$ 2 milhões por dano moral coletivo, o Ministério Público solicita que o valor seja destinado ao Fundo Estadual de Defesa dos Direitos Difusos ou a entidades representativas das religiões de matriz africana. O pedido também inclui a exigência de retratação pública por parte de Cláudia Leitte.

Outra solicitação apresentada na ação é o compromisso formal da artista de não repetir condutas consideradas ofensivas em shows, entrevistas, produções artísticas ou publicações em redes sociais. Para o MP, essas medidas têm caráter preventivo e buscam evitar novos episódios semelhantes.

Repercussão e histórico do caso

O episódio ocorreu no ano passado e gerou manifestações críticas de organizações e associações ligadas às religiões afro-brasileiras. Desde então, o caso tem sido acompanhado por entidades de defesa da liberdade religiosa e por representantes do setor cultural.

Até o momento, Cláudia Leitte não se pronunciou publicamente sobre a alteração na letra da música nem sobre a ação movida pelo Ministério Público. A Justiça ainda deverá analisar os pedidos apresentados e decidir sobre o prosseguimento do processo.

A ação civil pública movida pelo Ministério Público da Bahia contra Cláudia Leitte reacende o debate sobre liberdade artística, intolerância religiosa e responsabilidade social de figuras públicas. O processo busca reparação coletiva e medidas preventivas diante do impacto cultural atribuído ao episódio, e o desfecho dependerá da avaliação do Judiciário sobre os fatos apresentados.

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