O aumento das falências e o encerramento precoce de empresas têm chamado a atenção de especialistas e autoridades econômicas em 2025. Dados oficiais mostram que, apesar do elevado número de novos negócios abertos no país, o volume de empresas que não conseguem se manter ativas segue em ritmo preocupante, refletindo dificuldades estruturais, financeiras e estratégicas enfrentadas pelo empreendedor brasileiro.
Abertura de empresas cresce, mas falências acompanham o movimento
Segundo relatório do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, no primeiro quadrimestre de 2025 foram abertas 1.815.912 novas empresas em todo o Brasil. No mesmo período, porém, 973.330 negócios encerraram suas atividades, evidenciando um cenário de alta rotatividade no ambiente empresarial.
O quadro se agrava com os dados do Indicador de Falências e Recuperação Judicial da Serasa Experian. Apenas em março de 2025, foram protocolados 187 pedidos de recuperação judicial, o maior número do ano até o momento, representando um crescimento de 2,2% em comparação com o mesmo mês de 2024.
Alta mortalidade empresarial no Brasil
Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que cerca de 20% das empresas brasileiras não ultrapassam o primeiro ano de funcionamento. O índice sobe para aproximadamente 60% quando analisado o período de até cinco anos de atividade, reforçando o desafio de longevidade dos negócios no país.
Inadimplência e recuperação judicial batem recordes
Pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), baseada em dados da Serasa Experian, revela que 7,2 milhões de empresas brasileiras estão inadimplentes. O número representa cerca de 31,6% dos negócios ativos no país. Em 2024, 6,9 milhões de empresas já haviam encerrado o ano com dívidas em atraso.
O Brasil também registrou um recorde histórico de pedidos de recuperação judicial entre 2024 e 2025. Somente em 2024, foram contabilizadas 2.273 solicitações, o maior volume desde o início da série histórica em 2006, com aumento de 61,8% em relação ao ano anterior. Do total de pedidos, 73,7% são de micro e pequenas empresas, cujos débitos ultrapassam R$ 140 bilhões.

