As exportações de soja brasileiras voltadas ao mercado chinês alcançaram um volume inédito em 2025, ampliando ainda mais a participação do país no comércio agrícola global. Em meio ao cenário de tensão comercial entre Estados Unidos e China, o Brasil consolidou-se como principal fornecedor do grão e também ampliou expressivamente as vendas de amendoim ao país asiático.
Exportações de soja lideram o avanço em 2025
O desempenho das exportações de soja para a China registrou marcas históricas entre janeiro e novembro de 2025. Nesse período, foram embarcadas aproximadamente 80,9 milhões de toneladas, conforme dados da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec). O volume supera o recorde anterior, registrado em 2023, quando o Brasil exportou 75,5 milhões de toneladas do grão para o país asiático.
Com o ritmo atual, o Brasil deve encerrar 2025 com cerca de 105 milhões de toneladas de soja enviadas ao exterior. A China deve responder por cerca de 80% desse total, mantendo-se, pelo vigésimo ano consecutivo, como o maior destino da soja brasileira. O avanço reforça o peso do mercado chinês na balança comercial agrícola nacional.
Expansão das exportações de amendoim
Além das exportações de soja, o amendoim ganhou destaque em 2025. Segundo a Associação Nacional de Exportadores de Amendoim (Abex-BR), o Brasil enviou 63 mil toneladas do produto à China entre janeiro e novembro. O salto representa alta superior a 2.600% na comparação com todo o volume exportado nos dois anos anteriores.
Mudança no perfil dos compradores
Até 2024, Rússia e União Europeia lideravam a importação do amendoim brasileiro. Em 2025, porém, a China ultrapassou ambos os mercados e tornou-se o principal destino do produto. O óleo bruto de amendoim também registrou incremento expressivo, com crescimento de 170% nas exportações, sendo 90% do volume adquirido pela China.
Diversificação: Brasil deve iniciar exportação de sorgo
A relação comercial entre Brasil e China deve se ampliar ainda mais em 2026. O país asiático demonstrou interesse na compra de sorgo brasileiro, cereal amplamente utilizado na produção de rações, alimentos industrializados e bebidas.
De acordo com o engenheiro agrônomo da Anec, Wallas Ferreira, a China reduziu em 90% a importação de sorgo norte-americano, fator que abriu espaço para o avanço brasileiro. O protocolo comercial já foi firmado entre os dois países, restando apenas a aprovação da safra de 2025 para que os embarques possam começar.
Os resultados de 2025 consolidam o Brasil como um dos principais protagonistas do comércio agrícola global. O recorde nas exportações de soja, aliado ao avanço expressivo nas vendas de amendoim e à perspectiva de entrada do sorgo no mercado chinês, reforça a importância da parceria comercial entre Brasília e Pequim. As projeções indicam continuidade no crescimento e diversificação das exportações brasileiras nos próximos anos.

