O BNDES voltou ao centro das atenções ao liberar R$ 200 milhões para impulsionar o desenvolvimento do carro voador da Eve, subsidiária da Embraer. O investimento reforça a etapa de preparação do protótipo, que deverá realizar seu primeiro voo no início do próximo ano, segundo o CEO da empresa, Johann Bordais.
BNDES reforça apoio ao desenvolvimento da aeronave
A nova liberação de recursos pelo BNDES será direcionada à preparação da aeronave para a fase de testes, etapa essencial para que o eVtol obtenha o certificado da Anac. Esse processo permitirá que o veículo aéreo elétrico de pouso e decolagem vertical avance rumo à operação comercial.
De acordo com a empresa, o financiamento também garante a integração e o funcionamento dos motores elétricos do primeiro modelo que será certificado. Os valores vêm de duas fontes: R$ 160 milhões do Fundo Clima e R$ 40 milhões da linha Finem.
Ainda segundo o banco, desde 2022 já foram aprovados R$ 1,2 bilhão em créditos destinados a diferentes fases do projeto, incluindo a instalação da fábrica em Taubaté, interior de São Paulo.
Apoio contínuo do BNDES e investimentos recentes
Além dos financiamentos tradicionais, o BNDES anunciou em agosto um aporte de aproximadamente R$ 405 milhões na Eve, como parte da retomada do programa de compra de ações de empresas nacionais. Os recursos contribuíram para acelerar etapas estruturais do programa do eVtol.
Mesmo com o avanço tecnológico e financeiro, a entrega dos primeiros modelos sofreu ajustes. Inicialmente prevista para 2026, a expectativa agora é que os primeiros eVtols cheguem aos clientes no fim de 2027. O CEO da fabricante explica que a equipe precisou de mais tempo para revisar tecnologias e assegurar um desempenho competitivo no mercado.
Testes, protótipos e processo de certificação
Bordais informou que o protótipo de engenharia está em Gavião Peixoto, no interior paulista, e pronto para seguir para os testes. Depois do primeiro voo, outros seis protótipos de conformidade serão utilizados ao longo do próximo ano. Essas unidades já se aproximam do modelo final que chegará ao mercado.
A empresa afirma ter recebido 2.800 cartas de intenção de compra do eVtol. Em 2024, a operadora Revo anunciou interesse em adquirir até 50 unidades. Bordais destacou que não há garantia de qual país será o primeiro a iniciar as operações, já que a Anac possui um acordo bilateral com a FAA, permitindo que a certificação brasileira seja rapidamente reconhecida nos Estados Unidos.
Resultados financeiros e cenário do mercado de eVtols
No terceiro trimestre, a Eve registrou prejuízo de US$ 46,9 milhões, acima do valor do mesmo período do ano anterior. Segundo o CEO, o aumento dos custos está ligado ao pico de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, etapa que deve seguir intensa até que a Anac finalize a certificação.
O executivo comentou também que, diante da suspensão de projetos similares por outras fabricantes, o setor está passando por um processo de consolidação. Ele ressaltou que além de tecnologia e conhecimento, a capacidade financeira das empresas será determinante para sobreviver no mercado de aeronaves elétricas.

