O julgamento que envolve Felipe Martins ganhou destaque nesta terça-feira (9), após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação do ex-assessor e de outros cinco investigados. A análise ocorre na 1ª Turma da Corte, que iniciou a apreciação do chamado “núcleo 2”, relacionado a uma suposta tentativa de ruptura da ordem institucional.
PGR detalha acusações contra o grupo
Durante sua manifestação, Paulo Gonet classificou as ações atribuídas aos réus como “gravíssimas” e afirmou que o objetivo seria criar um ambiente de instabilidade social. Segundo ele, os acusados foram alertados diversas vezes sobre os riscos das mobilizações que vinham sendo planejadas, mas mesmo assim não adotaram medidas para impedir o cenário que se formou.
Gonet enfatizou que, em vez de minimizar os impactos das manifestações, o grupo teria permitido a escalada dos acontecimentos, contribuindo para a criação de um contexto favorável a uma intervenção militar.
Atuação de Felipe Martins segundo a PGR
O procurador-geral reforçou que Felipe Martins não teria desempenhado um papel secundário nos fatos apurados. Para Gonet, o ex-assessor participou diretamente da elaboração de argumentos que embasaram iniciativas de caráter excepcional.
Segundo a PGR, o documento elaborado por Martins demonstraria que suas ações iam além das atribuições formais de sua função, revelando envolvimento ativo nas discussões internas relacionadas ao processo eleitoral. Gonet afirmou ainda que a proposta apresentada por ele “não possuía caráter conciliatório”, indicando sua relevância dentro das articulações.
Outros denunciados e o suposto plano ‘Punhal Verde e Amarelo’
Entre os acusados também está o general Mário Fernandes, apontado como responsável por um plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”. O documento, classificado por Gonet como um dos mais graves do caso, descrevia a eliminação de autoridades, incluindo o presidente eleito Lula, o vice eleito Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. À época, Fernandes ocupava o cargo de secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência.
Para o Ministério Público, o fato de o texto ter sido impresso no Palácio do Planalto reforça sua relevância, afastando a tese de que seria apenas um rascunho sem importância. Segundo Gonet, a posição ocupada por Fernandes e seus relatos de conversas com o então presidente desautorizam qualquer tentativa de minimizar os fatos.
Acusações envolvendo a PRF e Silvinei Vasques
Outro ponto abordado pelo PGR diz respeito ao ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques. A denúncia afirma que a corporação teria sido utilizada para influenciar o resultado das eleições, especialmente no segundo turno, mediante bloqueios e operações direcionadas a regiões onde Lula recebeu maior número de votos.
No parecer encaminhado ao STF, Gonet aponta que houve um aumento significativo das abordagens em áreas específicas sem justificativa plausível. Para ele, as ações buscavam dificultar o deslocamento de eleitores, sobretudo em municípios que servem de passagem para centros urbanos maiores.

