*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O advogado Rodrigo da Costa Ribeiro, preso durante a Operação “Efatá” da Polícia Civil, teve sua prisão em flagrante convertida em prisão preventiva durante a audiência de custódia realizada na última quarta-feira, dia 3 de dezembro.
A decisão foi proferida pelo juiz Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto, que acatou o pedido da representação policial.
Rodrigo da Costa Ribeiro é apontado como o líder jurídico-financeiro e conselheiro de uma facção criminosa, atuando diretamente na lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, em um esquema que teria movimentado mais de R$ 500 milhões.
O juiz Francisco Mendes Neto fundamentou a necessidade da prisão preventiva citando a alta periculosidade do advogado e o risco de reiteração delitiva.
Em trecho da decisão, o magistrado destacou o papel do advogado na facção.
“Nessa toada, consignou-se na representação da medida cautelar que o custodiado é apontado como líder jurídico-financeiro e conselheiro da facção criminosa Comando Vermelho, atuando diretamente na cobrança de dívidas, bem como em movimentações financeiras milionárias desprovidas de lastro fiscal, desempenhando funções qualificadas como de natureza ‘intelectual’ e ‘financeira’ no âmbito da organização criminosa”.
O juiz também fez referência à recente legislação.
“Diante desse contexto, o art. 310-A, § 3º, inciso IV, do Código de Processo Penal, na redação introduzida pela Lei n.15.272/2025, passou a prever expressamente que o fundado receio de reiteração delitiva, inclusive à vista da existência de outros inquéritos e ações penais em curso, constitui critério objetivo para a aferição da periculosidade do agente e, por consequência, para a decretação da prisão preventiva”.
FLAGRNTE E APREENSÕES NO CONDOMÍNIO DE LUXO
O advogado foi detido no âmbito da Operação “Efatá“. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão no apartamento dele de alto padrão, no condomínio Brasil Beach, as autoridades encontraram armas brancas, munições de arma de fogo e simulacros. Por conta desses achados, ele também foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.
ENTENDA A OPERAÇÃO “EFATÁ” CONTRA O TRÁFICO DE DROGAS E LAVAGEM DE DINHEIRO
A Operação “Efatá” foi deflagrada pela Polícia Civil para desarticular um complexo esquema voltado à lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
A investigação da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (DRE) notou movimentações bancárias superiores a R$ 295 milhões. Um dos principais investigados sozinho movimentou R$ 295.087.462,24.
A Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias de 40 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas, com limite de bloqueio de até R$ 41,2 milhões, além do sequestro de imóveis e 15 veículos.
O grupo utilizava empresas de fachada, laranjas e até familiares para pulverizar os valores em pequenas quantias, uma tática de lavagem de dinheiro altamente fracionada, para ocultar a origem ilícita dos fundos.
A operação busca descapitalizar o crime organizado e desmantelar sua estrutura financeira.

