O desempenho das contas externas brasileiras apresentou novo recuo em outubro, conforme dados divulgados pelo Banco Central. Embora o resultado permaneça negativo, os números mostram uma redução expressiva na comparação com o mesmo mês do ano anterior, impulsionada principalmente pela melhora no comércio exterior.
Déficit das contas externas registra queda
Segundo o Banco Central, o déficit das contas externas alcançou US$ 5,12 bilhões em outubro. Um ano antes, o saldo negativo havia sido maior, chegando a US$ 7,39 bilhões. A principal contribuição para essa redução veio do comércio de bens, que exibiu desempenho mais favorável ao longo do mês.
A balança comercial encerrou o período com superávit de US$ 6,17 bilhões. Esse resultado representa incremento de quase US$ 3 bilhões em relação ao observado em outubro de 2024. O BC destaca que a expansão das exportações e o comportamento das importações contribuíram para fortalecer o saldo positivo.
No lado das despesas, a conta de serviços permaneceu praticamente estável na comparação anual. O segmento registrou déficit de US$ 4,37 bilhões, comportamento semelhante ao de meses anteriores e ainda pressionando o resultado geral das contas externas.
A conta de renda primária, que engloba remessas de lucros, dividendos e juros pagos ao exterior, apresentou aumento no rombo. O déficit atingiu US$ 7,4 bilhões, aproximadamente US$ 838 milhões acima do montante verificado no mesmo período do ano passado. Esse avanço reforça a pressão sobre as transações correntes.
Situação das transações correntes
No acumulado de 12 meses, as transações correntes continuam no campo negativo. O Banco Central calcula déficit de US$ 76,7 bilhões, equivalente a 3,48% do Produto Interno Bruto. Em setembro, esse valor estava em US$ 79 bilhões (3,61% do PIB). Já em outubro de 2024, o indicador somava US$ 57,3 bilhões, ou 2,57% do PIB, mostrando deterioração no comparativo anual.
Apesar das pressões sobre as contas externas, o investimento direto no país apresentou avanço significativo. Em outubro, houve ingresso líquido de US$ 10,9 bilhões, valor que superou com folga o déficit do mês. No mesmo período do ano anterior, as entradas haviam totalizado US$ 6,7 bilhões, demonstrando maior confiança de investidores estrangeiros.
Os dados mais recentes do Banco Central mostram que, embora as contas externas permaneçam deficitárias, há sinais de melhora impulsionados pelo desempenho da balança comercial e pelo avanço do investimento direto. Já as despesas com serviços e o aumento nas remessas ao exterior seguem como fatores de pressão, mantendo as transações correntes no vermelho ao longo dos últimos 12 meses.

