A vigília organizada por apoiadores de Jair Bolsonaro em frente ao condomínio onde o ex-presidente reside, em Brasília, foi citada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como um dos elementos que justificaram a decisão pela prisão preventiva. O ato religioso foi convocado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu a simpatizantes que se reunissem para orar pela saúde do pai.
Vigília é apontada por Moraes como conduta ilícita
No despacho, Moraes afirmou que a reunião, embora apresentada como uma manifestação de fé, deve ser interpretada como uma ação inserida em um contexto considerado pelo STF como irregular. Segundo o ministro, a vigília poderia servir para estimular atos classificados como criminosos e favorecer possíveis tentativas de descumprimento das restrições impostas ao ex-presidente.
No despacho, Moares transcreve e usa como base, a postagem do Senador que convocou apoiadores para uma vigília, Flávio escreveu:
“Vamos invocar o Senhor dos Exércitos! A oração é a verdadeira armadura do cristão. É por meio dela que vamos vencer as injustiças, as lutas e todas as perseguições. Tenho um convite especial para você: assista ao vídeo até o final! VIGÍLIA PELA SAÚDE DE BOLSONARO E PELA LIBERDADE NO BRASIL! Sábado, 22 de novembro, 19h, no balão do Jardim Botânico, na altura do condomínio Solar de Brasília 2, diz uma das postagens inseridas na decisão.
O ministro destacou que, desde agosto, a Polícia Federal, esta sim, mantém a verdadeira vigília contínua na residência de Bolsonaro. Agentes permanecem no local para monitorar eventuais movimentações que possam comprometer as determinações judiciais. Apesar desse controle, Moraes avaliou que a concentração de apoiadores mobilizados pela vigília poderia gerar tumulto e criar condições que facilitassem uma eventual fuga, colocando em risco a eficácia das medidas cautelares e da prisão domiciliar.
Para o magistrado, a maneira como o senador mobilizou a vigília reflete um padrão que, segundo o STF, já foi utilizado em ocasiões anteriores por grupos investigados por disseminação de ataques às instituições. Moraes afirma que o parlamentar empregou estratégias semelhantes às identificadas em ações que teriam buscado desestabilizar o processo democrático em 2022.

