O governo dos Estados Unidos anunciou a retirada parcial das tarifas aplicadas a diversos produtos agrícolas importados, incluindo itens brasileiros. Apesar da suspensão, a maior parte das tarifas permanece vigente, especialmente a taxa adicional de 40%, que segue impactando setores como o de café e carnes.
Suspensão parcial das tarifas anunciada por Trump
O presidente Donald Trump formalizou a redução de parte das tarifas de 10% que estavam em vigor desde abril para todos os parceiros comerciais dos EUA. A medida contempla produtos do agronegócio brasileiro, como café, cortes de carne bovina, castanhas, açaí, tapioca, mandioca e várias frutas.
A alteração foi oficializada em uma ordem executiva assinada em 14 de novembro, na qual o governo americano redefiniu a lista de itens submetidos às taxas. Segundo o Ministério da Agricultura do Brasil, representado pelo secretário Luís Rua, a diminuição não interfere na tarifa adicional de 40% criada em julho e que continua sendo tema de negociação bilateral.
Critérios para o novo enquadramento
No documento, Trump afirma que revisou o escopo das tarifas após receber análises técnicas de autoridades que supervisionam as medidas comerciais. A decisão também levou em conta o andamento das tratativas com outros países, a demanda doméstica norte-americana e a capacidade de produção dos EUA para determinados bens agrícolas.
A mudança entra em vigor para mercadorias importadas a partir de 13 de novembro de 2025. Dias antes, em entrevista à Fox News, o presidente já havia antecipado a possibilidade de redução das tarifas para o café, sem mencionar os beneficiados.
Tarifa extra de 40% continua valendo para produtos do Brasil
Embora a retirada das tarifas de 10% alivie parte das cobranças, o decreto não altera a tarifa adicional de 40% que incide sobre vários produtos brasileiros desde agosto. Antes disso, a taxa havia sido elevada para 50% como resposta de Trump aos processos enfrentados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
O texto divulgado em julho menciona alegações de perseguição e motivação política como justificativa para o aumento das cobranças. Com a nova decisão, a tarifa extra volta ao patamar de 40%, mas continua impactando diretamente produtores e exportadores.
Produtos afetados pela redução parcial das tarifas
A lista divulgada pelo governo inclui categorias amplas da produção agropecuária:
- Carnes bovinas e derivados, frescas ou congeladas, incluindo cortes, carcaças e carnes processadas;
- Frutas, vegetais e tubérculos, como tomate, banana, abacaxi, abacate, goiaba e mandioca;
- Café, torrado ou não, com ou sem descafeinação;
- Chás, nas variedades verde, preto e mate;
- Cacau e itens processados;
- Produtos diversos, como óleo de coco, cevada, farinhas, polpa de banana e suco de laranja;
- Fertilizantes de origem animal ou vegetal.
Mesmo com a diminuição, muitos desses itens seguem mais caros no mercado internacional devido à combinação entre o tarifaço e a baixa oferta doméstica nos Estados Unidos.
Fatores que influenciaram a decisão americana
O governo americano destacou que a revisão das tarifas considerou recomendações de órgãos comerciais, o andamento das negociações internacionais, o consumo interno e o potencial produtivo dos EUA. Segundo a ordem executiva, esses elementos foram determinantes para definir quais bens continuariam sujeitos às taxas e quais receberiam isenção.
A suspensão parcial das tarifas representa um alívio limitado para exportadores brasileiros, especialmente para setores como café, carne bovina e frutas. No entanto, a manutenção da tarifa adicional de 40% continua sendo o principal desafio para o Brasil nas discussões comerciais com os Estados Unidos. A expectativa é que novas negociações avancem nos próximos meses para tentar reduzir os impactos econômicos sobre os produtores nacionais.

