*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O Ministério Público Estadual (MPE) apresentou denúncia à Justiça contra 11 pessoas, incluindo um empresário, a mãe dele que é advogada, e o irmão, por envolvimento em um suposto esquema de desvio que atingiu a cifra de cerca de R$ 21 milhões no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT).
A denúncia, assinada pelo promotor de Justiça Adriano Roberto Alves, chefe do Gaeco, foi encaminhada ao Poder Judiciário e é resultado das investigações conduzidas pela Polícia Civil durante a Operação Sepulcro Caiado.
Os denunciados são acusados de crimes graves como integrar organização criminosa, estelionato e peculato.
O ESQUEMA E O NÚCLEO FAMILIAR
A fraude, que agia de forma complexa e silenciosa no sistema judiciário, consistia no ajuizamento de ações de cobrança em nome de empresas. O mecanismo central do desvio era a simulação: sem o conhecimento das partes rés, os envolvidos simulavam o pagamento das dívidas com comprovantes falsos de depósitos judiciais.
O Gaeco aponta o empresário João Gustavo Ricci Volpato como o líder e agente central de todo o esquema. Ele atuava como autor direto em processos judiciais fraudulentos e utilizava as empresas Labor Fomento Mercantil e RV Cobrança para viabilizar as ações.
A denúncia detalha a participação do núcleo familiar do empresário:
João Gustavo Ricci Volpato: Apontado como o líder e mentor, utilizava empresas de factoring (fomento mercantil) para ajuizar ações e forjar os comprovantes de depósitos judiciais.
Augusto Frederico Ricci Volpato: Irmão de João Gustavo, seria sócio da Labor Fomento Mercantil Ltda-ME, empresa utilizada na prática das fraudes contra as vítimas.
Luiza Rios Ricci Volpato: Mãe dos empresários e advogada, teria atuado como sócia de João Gustavo na RV Empresa de Cobrança Ltda-ME. Esta empresa, por sua vez, foi utilizada em uma ação judicial movida contra uma vítima civilmente incapaz.

