A Faixa de Gaza voltou a ser palco de ataques na noite desta quinta-feira (30), quando o Exército israelense realizou bombardeios pelo terceiro dia consecutivo. De acordo com a agência de notícias WAFA, ligada à Autoridade Palestina, duas pessoas morreram em decorrência das ações militares israelenses.
Segundo a agência, um palestino foi atingido durante o bombardeio e outro acabou morto a tiros pelas forças de Israel. Um terceiro homem, ferido em ataques anteriores, não resistiu e também morreu, elevando o número de vítimas registradas nas últimas horas. O Exército israelense não comentou oficialmente sobre os novos confrontos.
Cessar-fogo em Gaza enfrenta novo teste
O cessar-fogo em Gaza, mediado pelos Estados Unidos há três semanas, continua sob forte pressão. O acordo ainda não solucionou pontos críticos, como o desarmamento do grupo Hamas e o cronograma de retirada das tropas israelenses do território. Apesar disso, Israel afirmou na quarta-feira (29) que permanece comprometido com a trégua, mesmo após as recentes retaliações.
Entre terça e quarta-feira, o país respondeu à morte de um soldado israelense com uma série de bombardeios que, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, deixaram ao menos 104 palestinos mortos. Israel alega que o militar foi atacado por homens armados dentro da chamada “linha amarela”, região da qual suas tropas haviam se retirado como parte do acordo. O Hamas, no entanto, nega envolvimento no incidente.
Entrega de corpos e negociações em andamento
Na quinta-feira, o grupo Hamas entregou às autoridades israelenses os corpos de dois reféns mortos. O ato faz parte do acordo de cessar-fogo, que previa a libertação de todos os reféns vivos mantidos em Gaza em troca da liberação de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos.
Israel, por sua vez, comprometeu-se a retirar parte de suas forças, interromper a ofensiva militar e permitir maior entrada de ajuda humanitária no enclave. Além disso, o Hamas concordou em devolver os restos mortais de 28 reféns israelenses mortos em troca da entrega de 360 combatentes palestinos mortos na guerra. Até agora, 17 corpos foram repatriados.
O Hamas declarou que ainda precisa de tempo para localizar e recuperar os corpos restantes, o que levou Israel a acusar o grupo de atrasar o cumprimento do acordo e violar a trégua.
Dois anos de conflito e milhares de mortos
Após dois anos de confrontos, o conflito em Gaza já provocou a morte de mais de 68 mil palestinos, conforme dados do Ministério da Saúde local. O território permanece devastado por bombardeios e pela falta de recursos básicos.
A guerra teve início em outubro de 2023, quando combatentes liderados pelo Hamas atacaram o sul de Israel, resultando na morte de cerca de 1.200 pessoas e no sequestro de 251 reféns levados para a Faixa de Gaza.

