*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Quase um ano e meio após o brutal feminicídio da filha, Raquel Cattani, de 26 anos, o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) fez um desabafo doloroso sobre a morosidade e a ineficiência do sistema judicial brasileiro. O parlamentar afirmou publicamente ter “desistido” de acompanhar ativamente o processo que investiga e julga o assassinato da jovem.
Raquel Cattani, empreendedora e mãe de duas crianças, foi assassinada com inúmeras facadas em julho de 2024, dentro de sua casa no assentamento Pontal do Marape, em Nova Mutum.
As investigações da Polícia Civil foram conclusivas. O crime foi cometido por Rodrigo Xavier, a mando do ex-marido de Raquel, Romero Xavier. O motivo seria a não aceitação do fim do relacionamento. Rodrigo Xavier teria recebido um pagamento de R$ 4 mil para executar o crime.
Apesar de as provas e as prisões terem sido efetuadas, a falta de avanço e o desgaste emocional do processo levaram o pai da vítima a uma profunda frustração.
“Eu disse pra ela [Sandra, sua esposa] ‘olha, eu desisto’, eu nem estou acompanhando mais, eu desisti. Eu sou bem sincero, não existe justiça no nosso país. Não existe justiça. Não quero saber mais,” lamentou o deputado Cattani.
O parlamentar destacou a lentidão do sistema em questões cruciais que afetam os netos.
“A guarda dos meninos ainda tá indefinida, o inventário da Raquel até hoje não foi decidido, já faz dois anos praticamente,” pontuou, ressaltando o impacto direto nos órfãos.
Cattani direcionou duras críticas à maneira como o sistema judicial conduz os depoimentos e trata a legislação brasileira, considerada por ele excessivamente branda, principalmente em casos de tamanha crueldade.
O deputado relatou sentir-se acuado durante o depoimento: “Quando nós fomos chamados para dar nosso depoimento foi coercitivo, tinha que ir ‘na marra’. No nosso depoimento os marginais estavam lá olhando”. Ele questionou a disparidade de tratamento processual: “Nós não podemos ouvir o que eles vão falar, mas eles podem ouvir para se autodefenderem. Está tudo errado no nosso país com a questão judicial”.
“Não é que eu vou desistir da minha filha ter um respaldo de justiça, mas eu vou esperar em Deus, porque nessa [Justiça humana]… não tem,” desabafou.
O ANDAMENTO DO CASO
Romero Xavier (mandante) e Rodrigo Xavier (autor do crime) seguem presos em uma unidade do Sistema Penitenciário Estadual. Eles respondem por homicídio triplamente qualificado (feminicídio, promessa de recompensa e emboscada com recurso que dificultou a defesa da vítima). Rodrigo ainda foi indiciado pelo crime de furto por subtrair pertences de Raquel, incluindo um celular.
Gilberto Cattani afirmou que comparecerá ao julgamento dos acusados, motivado pelo desejo da esposa, Sandra Cattani, que clama por uma resposta judicial à morte brutal da filha.
ASSISTA O VÍDEO DA ENTREVISTA DO DEPUTADO GILBERTO CATTANI (PL)

