Após os recentes alertas de intoxicação por metanol registrados em São Paulo e em outras regiões do país, as vendas de bebidas alcoólicas sofreram uma queda expressiva. Dados de consultorias especializadas revelam retração no consumo, especialmente de destilados como a vodca, enquanto o setor tenta compreender os impactos e buscar estratégias para conter as perdas.
Queda nas vendas de bebidas preocupa o setor
Relatórios recentes indicam que a retração nas vendas de bebidas começou a se intensificar na última semana de setembro. De acordo com levantamento da consultoria Varejo 360, o volume comercializado em São Paulo caiu mais de 35% na quinta-feira (25), em comparação ao mesmo dia do ano anterior. A tendência continuou na sexta (26) e no sábado (27), com redução de aproximadamente 25% nas vendas.
O estudo, que analisou notas fiscais de 33,7 mil consumidores, abrangeu desde pequenas adegas até grandes redes varejistas, mas não considerou bares e restaurantes. A vodca foi a bebida mais impactada, com quedas superiores a 40% no período analisado.
Impacto é maior em pequenos comércios
Empresas do setor têm evitado comentar publicamente os prejuízos, mas analistas afirmam que o impacto tem sido mais severo entre os estabelecimentos independentes. Segundo o diretor da Varejo 360, Fernando Faro, mercados menores e adegas sofrem mais com a retração, principalmente pela ausência de controle rigoroso sobre a procedência dos produtos.
Faro acrescenta que outros fatores, como a queda das temperaturas e o comportamento sazonal do consumidor, também influenciam as vendas de bebidas alcoólicas. Contudo, ele destaca que o temor em torno da contaminação por metanol se tornou o principal motivo da diminuição no consumo.
Repercussão e desconfiança dos consumidores
A divulgação dos casos de intoxicação começou após comunicado da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, vinculada ao Ministério da Justiça. A notícia rapidamente ganhou espaço na mídia e nas redes sociais, provocando receio entre os consumidores e afetando diretamente o comércio.
Até o momento, o Ministério da Saúde contabiliza 127 casos suspeitos de intoxicação por metanol no Brasil. Em São Paulo, o governo estadual confirmou duas mortes relacionadas ao consumo de bebidas adulteradas. A incerteza sobre a origem dos produtos contaminados levou muitos consumidores a reduzir temporariamente o consumo de destilados.
Cerveja mantém parte do consumo
Apesar da retração generalizada, algumas categorias de bebidas têm resistido à queda. De acordo com o levantamento da Varejo 360, o consumo de cerveja apresentou uma redução menor, possivelmente por ser um produto de grande circulação e procedência mais conhecida. Para especialistas, a retomada das vendas de bebidas dependerá da confiança dos consumidores e da transparência sobre a origem dos produtos comercializados.

