*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Federal (PF) deflagrou mais uma etapa da Operação Sisamnes, na manhã desta sexta-feira, dia 3 de outubro, intensificando a investigação sobre graves denúncias de venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e em outros estados.
A nova fase, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem como alvo principal Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado pela PF como o principal operador do esquema. Agentes da PF estão cumprindo mandados em Primavera do Leste (MT), onde Gonçalves já cumpre prisão domiciliar desde julho. O benefício foi concedido devido ao laudo médico que apontou risco de morte por seu grave estado de saúde.
INVESTIGAÇÕES TÊM ORIGEM EM ASSASSINATO DE ADVOGADO
A complexa investigação teve início após um evento chocante: o assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em dezembro de 2023, em Cuiabá.
Ao apreender o celular de Zampieri, o Ministério Público de Mato Grosso descobriu diálogos comprometedores que apontavam para um esquema de corrupção.
O material foi crucial e logo foi encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que descobriu que Zampieri supostamente comprava decisões judiciais de desembargadores.
A apuração do CNJ resultou no afastamento dos desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho.
AS DESCOBERTAS DA POLÍCIA
As investigações da Operação Sisamnes, iniciada em novembro do ano passado com a primeira prisão de Andreson Gonçalves, revelaram a sofisticação da rede de corrupção. A PF descobriu que Gonçalves, como principal operador, fazia a ponte entre o esquema em Mato Grosso e lobistas de Brasília, que afirmavam ter acesso direto a gabinetes de ministros do STJ.
Entre as descobertas está um repasse de R$ 4 milhões feito por Gonçalves a um servidor do STJ. Este servidor teria atuado nos gabinetes de duas ministras da Corte, reforçando a suspeita de que o esquema se estendia a instâncias superiores da Justiça.

