O distrito de Uiraponga, em Morada Nova, a cerca de 170 km de Fortaleza, vive uma crise sem precedentes após a atuação de facções que disputam o controle da região. O conflito entre grupos rivais provocou um êxodo forçado, esvaziando a comunidade que antes contava com aproximadamente 300 famílias.
Casas abandonadas, comércios fechados e serviços básicos suspensos transformaram o vilarejo em um cenário de abandono. A prefeitura decretou situação de emergência, fechou o posto de saúde e transferiu alunos da escola local para outras unidades.
Ruptura entre facções e clima de terror
As investigações apontam que o confronto teve início quando José Witals da Silva Nazário, conhecido como Playboy, rompeu com a facção Guardiões do Estado e se aliou ao Terceiro Comando Puro. A partir daí, passou a enfrentar o antigo aliado, Gilberto de Oliveira Cazuza, o Mingau, chefe do tráfico local.
Com apoio de Márcio Jailton da Silva, apelidado de Piolho, Witals iniciou uma série de ameaças e intimidações. De acordo com o inquérito, os líderes das facções usaram redes sociais, mensagens diretas e até ataques armados para obrigar moradores a deixarem suas casas. A violência não se limitou aos rivais: a população civil também se tornou alvo.
Serviços paralisados e decreto emergencial
No dia 1º de agosto, a prefeitura de Morada Nova publicou decreto reconhecendo o colapso em Uiraponga. O documento destacou que as ações de facções inviabilizaram saúde, educação, limpeza pública e segurança.
Com isso, alunos foram realocados para escolas em áreas mais seguras e atendimentos médicos foram transferidos para outras unidades. A escola do distrito deixou de funcionar e o posto de saúde foi fechado.
Prisões e reforço policial na região
As autoridades reagiram com operações policiais. Em 28 de julho, José Witals foi preso em São Paulo, após troca de informações entre polícias. Já no dia seguinte, em Morada Nova, foi detido Márcio Jailton, acusado de envolvimento em ao menos oito homicídios.
O principal alvo agora é Gilberto Mingau, que permanece foragido. Contra ele existem seis mandados de prisão em aberto, e o governo do Ceará oferece recompensa de R$ 7 mil por informações que levem à captura.
A Secretaria da Segurança Pública do Ceará afirma manter equipes da Polícia Militar, Força Tática, CPRaio e Cotar em patrulhamento diário no distrito. Em setembro, a operação Regnum Fractus resultou em 11 prisões e 22 mandados de busca e apreensão.
O Ministério Público acompanha o caso em conjunto com as forças policiais e a prefeitura, buscando garantir o restabelecimento dos serviços públicos e o retorno seguro das famílias ao distrito.

