*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O delegado Bruno Abreu, responsável pela investigação da morte da personal trainer Rozeli Katiuscia Ferreira de Lima, afirmou que o policial militar Raylton Duarte Mourão, confesso do crime, mentiu em seu depoimento à polícia e na audiência de custódia. Segundo o delegado, o PM alegou não estar tomando a medicação psiquiátrica que a defesa havia usado para justificar o crime, em contradição com o que havia sido dito anteriormente.
“Eu perguntei para ele ontem se ele tomava remédio. Ele falou que não estava tomando. Diferentemente do que ele falou no depoimento, ele falou que não estava tomando remédio. E eu perguntei para ele se isso teria ocasionado sua raiva, e ele falou ‘não sei te responder’, mas ele alegou que não estava tomando remédio. Então ele mentiu, inclusive, na audiência de custódia”, afirmou Abreu.
Abreu ainda foi taxativo ao apontar a premeditação do crime.
“Ninguém sai de casa às 3h da manhã e fica rondando a casa da vítima, sem saber onde ela mora. Então, para mim, é um crime premeditado. Ele buscou seu comparsa, praticou o crime, deixou ele a pé para dificultar a investigação”, declarou.
Outro ponto que a investigação considera incoerente é a alegação do PM sobre o descarte da arma. Raylton teria afirmado que jogou um revólver calibre 38 em um rio no Pará.
“Ele só afirma que jogou o 38 no estado do Pará. A gente não acredita, ele não saiu da cidade”, reforçou o delegado.
ENTENDA O CASO
O crime que tirou a vida da personal trainer Rozeli Katiuscia Ferreira de Lima, em Várzea Grande, no dia 11 de setembro, chocou a população. O principal suspeito, o policial militar Raylton Duarte Mourão, confessou ser o autor dos disparos.
A motivação do assassinato teria sido uma disputa judicial por conta de um acidente de trânsito ocorrido em março. Rozeli pedia na Justiça uma indenização de R$ 24 mil após seu carro ter se envolvido em uma colisão com um caminhão-pipa da empresa de Mourão e sua esposa, Aline Valandro Kounz.
A investigação aponta que Mourão teria agido com um comparsa, que ainda não foi identificado, e que a arma do crime foi um revólver 38. O PM se entregou à polícia e, durante a audiência de custódia, alegou sofrer de problemas psiquiátricos, como depressão e síndrome do pânico. Com base nisso, o juiz Pierro de Faria Mendes determinou que Mourão passasse por tratamento médico, mas manteve sua prisão temporária.
A esposa de Raylton, a farmacêutica Aline Valandro Kounz, também teve um mandado de prisão expedido contra ela por suspeita de envolvimento no crime. Embora o marido tenha negado a participação dela, Aline se entregou à polícia na última terça-feira, 23 de setembro, e está sob custódia, acompanhada por advogados.
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