A dívida do Brasil avançou em julho e alcançou 77,6% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 9,6 trilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC). O índice cresceu um ponto percentual em relação ao mês anterior e reacendeu o debate sobre o peso das despesas públicas e a credibilidade da política fiscal do país.
Dívida do Brasil em comparação internacional
Embora o cálculo oficial do BC utilize metodologia própria desde 2008, o Fundo Monetário Internacional (FMI) adota um padrão mais abrangente, que inclui títulos públicos em posse do Banco Central. Por essa métrica, a dívida do Brasil chega a 90% do PIB, um patamar considerado elevado em comparação a economias emergentes, cuja média é de 69,5%.
Segundo o FMI, a diferença metodológica é significativa e altera a leitura internacional sobre a capacidade brasileira de honrar compromissos financeiros. O organismo recomendou que o Brasil adote o padrão global, incorporando todos os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, o que elevaria de forma oficial o percentual da dívida.
A relação entre dívida e PIB é acompanhada de perto por investidores porque indica o risco de insolvência em períodos de instabilidade. Quanto maior a dívida do Brasil, maior a pressão sobre a taxa de juros, o que encarece o crédito para empresas e famílias e limita o crescimento da economia.
Atualmente, os títulos mantidos pelo BC têm papel estratégico na regulação da liquidez e no controle da taxa Selic, hoje em 15% ao ano. No entanto, a manutenção de gastos elevados amplia as preocupações com o cenário fiscal de médio e longo prazo.
Evolução da dívida nos últimos governos
A série histórica mostra que a dívida do Brasil pelo padrão do FMI era de cerca de 67% do PIB em 2001. O índice manteve relativa estabilidade até 2014, mas subiu de forma expressiva a partir de 2015. No governo Dilma Rousseff, o aumento foi de 16 pontos percentuais em dois anos, e o avanço continuou sob Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Durante a pandemia, em 2020, os gastos extraordinários elevaram o endividamento, mas a dívida caiu no fim do governo Bolsonaro, encerrando 2022 em 83,9% do PIB. Já na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, o indicador voltou a subir, impulsionado por medidas como a PEC da transição, reajustes do salário mínimo, retomada de pisos de saúde e educação e pagamentos de precatórios.
Relatórios do Tesouro Nacional projetam que a dívida do Brasil deve continuar em alta, alcançando 84,3% do PIB em 2028. No entanto, analistas alertam que, pelo critério do FMI, o endividamento pode ultrapassar 95% do PIB na próxima década. Estimativas do mercado apontam que, em 2035, o índice poderia superar 100% se não houver mudanças significativas no controle de despesas.
A elevação da dívida do Brasil tem afastado o país da reconquista do grau de investimento. A Fitch Ratings afirmou que não vê possibilidade de recuperação desse selo de confiança no curto prazo. A Moody’s também revisou a perspectiva de crédito do Brasil de positiva para estável, citando os riscos fiscais.
Especialistas defendem reformas estruturais para frear o avanço da dívida do Brasil. Entre as propostas estão: revisão das regras previdenciárias, contenção de despesas com servidores, mudanças em benefícios sociais e revisão dos pisos constitucionais de saúde e educação.

