*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A polêmica em torno do uso de pronomes neutros voltou à tona na noite desta terça-feira, dia 9 de setembro, durante uma audiência pública na Câmara de Cuiabá.
O prefeito Abilio Brunini (PL) deixou a mesa principal do evento, que debatia a proposta de privatização de serviços das escolas municipais, após a professora Leliane Borges, conselheira e militante do PT, saudar o público utilizando a expressão “a todos, todas, e todes”. Embora tenha deixado a mesa, o prefeito permaneceu no local para acompanhar os debates.
O episódio mais recente remete a um caso semelhante, ocorrido há pouco mais de um mês. Em 30 de julho, a professora Maria Inês da Silva Barbosa, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), abandonou a Conferência Municipal do Sistema Único de Saúde (SUS) após ser repreendida pelo prefeito por usar a mesma forma de linguagem inclusiva.
Na ocasião, Abilio Brunini manifestou sua posição de forma enfática, declarando: “Aqui no nosso município, na nossa gestão, a gente não trabalha com pronome neutro, nem com doutrinação ideológica. Durante a minha gestão, não vou aceitar a manifestação de pronome neutro. Se a senhora não se sentir à vontade em fazer uma apresentação que discuta a saúde de Cuiabá sem doutrinação ideológica e sem manifestação de pronome neutro, eu vou suspender a apresentação”.
Em resposta, a professora Maria Inês defendeu seu ponto de vista antes de se retirar do evento.
“Quando eu falo de equidade, eu tenho que falar de todos, todas e todes porque essas pessoas querem ser ouvidas. Não tenho como falar do acesso universal igualitário a todas as ações e serviços de saúde, sem me referir a todos, todas e todes. O senhor não vai precisar me retirar da sala porque eu me retiro”, finalizou.
Após o primeiro incidente, a Prefeitura de Cuiabá divulgou uma nota oficial reforçando a decisão de não permitir o uso de linguagem neutra em eventos e espaços institucionais patrocinados pelo Poder Executivo Municipal. A medida, segundo a prefeitura, baseia-se no “compromisso com a preservação da norma culta da língua portuguesa e na neutralidade ideológica das ações públicas”.
VEJA VÍDEO DO MOMENTO QUE O PREFEITO DA CAPITAL DEIXA A MESA

