O presidente da China, Xi Jinping, comandou nesta quarta-feira (3) um grande desfile militar diante da Cidade Proibida, em Pequim. O evento, marcado pela presença de líderes estrangeiros, serviu como demonstração de poderio militar e de influência diplomática, em um momento em que a China busca consolidar papel central em uma nova ordem mundial.
Xi Jinping e a mensagem de força da China
O desfile reuniu ditadores aliados, representantes de diversos governos e autoridades internacionais. Xi Jinping transformou a cerimônia em um ato político, aproveitando o cenário para reforçar a posição de Pequim no tabuleiro global.
Blindados modernos, caças avançados, drones equipados com inteligência artificial e mísseis hipersônicos desfilaram diante do líder chinês. A exibição reforçou a ideia de que a China não apenas consolidou seu poder econômico e diplomático, mas também deseja ser reconhecida como potência militar de destaque.
Durante seu discurso, Xi Jinping destacou os dilemas enfrentados pela humanidade e defendeu a escolha por cooperação e paz, em contraste indireto com a política isolacionista adotada por Washington nos últimos anos.
Presença de ditadores internacionais
Entre os convidados de honra estavam o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un. A presença de Kim teve peso simbólico, já que ele não participava de eventos multilaterais desde 2019. A cena reforçou a imagem de que regimes sancionados pelo Ocidente encontram respaldo em Pequim.
Moscou, fragilizada pela guerra na Ucrânia, tem intensificado a dependência de sua relação com a economia chinesa. Já Pyongyang mantém-se sob a influência de Pequim, mesmo após estreitar laços militares com a Rússia em troca de apoio econômico e tecnológico.
Xi Jinping e o desafio aos Estados Unidos
O elo entre China, Rússia e Coreia do Norte não é apenas ideológico, mas estratégico: conter a influência dos Estados Unidos. Nesse contexto, Xi Jinping aparece como a figura central de um bloco que se contrapõe à hegemonia americana.
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O ex-presidente Donald Trump reagiu nas redes sociais, acusando Xi, Putin e Kim de conspirar contra os EUA. Apesar da tentativa do Kremlin de minimizar a situação, a imagem dos três líderes lado a lado diante de armas de longo alcance teve forte impacto simbólico.
Dias antes da parada militar, Xi já havia se reunido com líderes mundiais durante a cúpula da Organização para a Cooperação de Xangai. Além de Putin, esteve presente o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, sinalizando que até a Índia avalia maior aproximação com a China, apesar do histórico de rivalidade entre os dois países.
Essa movimentação ocorre em meio às tensões comerciais com Washington, que adota tarifas e sanções que podem afastar aliados e abrir espaço para a expansão diplomática chinesa.
O desfile liderado por Xi Jinping não foi apenas uma exibição de força militar, mas também um recado político claro. Diante da política externa norte-americana de viés isolacionista, a China se posiciona como alternativa pragmática e cada vez mais influente. O evento em Pequim reforça a ambição chinesa de liderar uma nova ordem mundial, na qual seu papel de protagonista já não pode ser ignorado.

