A suspensão dos contratos entre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Crefisa foi oficializada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (21). A decisão afeta diretamente o repasse de benefícios sociais no país e foi tomada após relatos de irregularidades envolvendo a instituição financeira.
Denúncias de beneficiários e problemas operacionais
De acordo com o INSS, segurados relataram dificuldades para acessar seus valores, além de atrasos, recusas e restrições em saques. Foram identificados ainda indícios de coação para abertura de contas, portabilidade não autorizada, venda casada de serviços e falta de informações claras aos beneficiários.
O instituto destacou também problemas estruturais em unidades da Crefisa, como longas filas, ausência de caixas eletrônicos e instalações consideradas inadequadas para o atendimento. Esses fatores teriam prejudicado, principalmente, segurados em situação de maior vulnerabilidade.
Crefisa nega irregularidades e questiona decisão
Em nota oficial, a Crefisa afirmou ter sido surpreendida pela medida cautelar adotada pelo INSS e disse não ter recebido notificação formal sobre as acusações. A instituição ressaltou que realiza os pagamentos desde 2020 sem interrupções e que mais de 1 milhão de beneficiários foram atendidos em todo o território nacional.
Segundo a empresa, não houve relatos de atrasos ou dificuldades para saque, tampouco práticas de coação para abertura de contas. A Crefisa garantiu cumprir todas as cláusulas contratuais e afirmou que pauta suas atividades pela ética e pela legalidade.
No último leilão referente à gestão da folha de pagamentos do INSS, para o período de 2025 a 2029, a Crefisa conquistou 25 dos 26 lotes oferecidos. Com mais de 60 anos de atuação no Brasil, a instituição mantém cerca de mil lojas físicas e investe em canais digitais de atendimento, incluindo serviços pelo WhatsApp.
O Instituto Nacional do Seguro Social destacou que a decisão é preventiva e visa resguardar os segurados até que as apurações sejam concluídas. A autarquia reforçou que não admite práticas que causem prejuízos, transtornos ou constrangimentos aos beneficiários e defendeu que transparência e segurança são princípios fundamentais em sua relação com a população.

