Os investidores estrangeiros retiraram R$ 811,8 milhões da B3 na última quarta-feira (6 de agosto de 2025), segundo dados mais recentes da Bolsa de Valores de São Paulo. O movimento reforçou a pressão sobre o saldo mensal, que acumula resultado negativo de R$ 1,5 bilhão no período.
Apesar da saída expressiva, o acumulado do ano segue positivo. Desde janeiro, a entrada líquida desses recursos soma R$ 18,6 bilhões. Quando se consideram as operações de ofertas iniciais (IPOs) e secundárias (follow-ons), o saldo anual alcança R$ 19,1 bilhões, sinalizando que o capital estrangeiro mantém presença relevante no mercado brasileiro.
Oscilações do Ibovespa refletem cautela dos investidores
O Ibovespa, principal índice da B3, operava em queda nesta sexta-feira (8) e registrava 135.902,71 pontos às 16h24, uma baixa de 0,46% em relação ao fechamento anterior. Dois dias antes, em 6 de agosto, o indicador encerrou a sessão com alta de 1,04%, aos 134.537,62 pontos.
Especialistas apontam que a volatilidade recente reflete a postura mais cautelosa dos investidores estrangeiros e domésticos, influenciada por fatores externos e internos, além da expectativa em torno de medidas econômicas que possam impactar setores estratégicos.
Investidores estrangeiros atentos ao impacto do tarifaço nos EUA
Um dos temas que concentram a atenção dos investidores estrangeiros é o chamado tarifaço imposto pelos Estados Unidos. O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou na quinta-feira (7) que o governo brasileiro apresentará um plano de contingência até terça-feira (12).
Segundo ele, as propostas já foram discutidas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e têm como objetivo mitigar os efeitos das tarifas adicionais sobre segmentos relevantes da economia nacional, buscando preservar competitividade e atratividade para o capital internacional.
A saída de recursos por parte dos investidores estrangeiros na primeira semana de agosto indica um cenário de maior prudência no mercado de capitais brasileiro. Embora o saldo anual permaneça positivo, a volatilidade do Ibovespa e a incerteza em torno de medidas econômicas, como a resposta ao tarifaço dos Estados Unidos, devem seguir influenciando o comportamento do capital internacional nos próximos meses.

