O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), usou de ironia ao comentar a revogação de vistos para os Estados Unidos, imposta a ele e a outros membros da Corte. A fala ocorreu durante o lançamento de seu novo livro, em Brasília, diante de uma plateia composta por diversas autoridades do Judiciário.
Declaração de Gilmar Mendes chama atenção em evento do STF
Durante a cerimônia de lançamento do livro Jurisdição Constitucional – Da Liberdade para a Liberdade, realizada na noite de quarta-feira (6), em Brasília, Gilmar Mendes fez referência ao impedimento de entrada nos Estados Unidos com uma observação sarcástica que provocou risos na plateia.
“Eu já tive a oportunidade de dizer que poderia estar contando isso em Roma, Paris e Lisboa, mas, agora, não em Washington D.C.”, declarou o ministro, em alusão à revogação de seu visto norte-americano. A declaração teve forte repercussão política, especialmente por ocorrer poucos dias após novas sanções dos Estados Unidos contra membros do STF.
Gilmar Mendes e ministros do STF tiveram vistos revogados
A fala de Gilmar Mendes veio à tona em meio a um cenário de tensão diplomática entre o governo norte-americano e membros do Supremo. Recentemente, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções ao ministro Alexandre de Moraes, sob alegações de violações de direitos humanos. A medida reacendeu discussões sobre a postura dos magistrados brasileiros e a imagem internacional da Corte.
Apesar das sanções recentes terem como foco Moraes, a revogação dos vistos já havia ocorrido anteriormente, durante a gestão do ex-presidente Donald Trump. Além de Gilmar Mendes e Moraes, outros seis ministros do STF também tiveram seus vistos cancelados: Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Dias Toffoli, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também está entre os afetados.
Os únicos membros da atual composição do STF que não foram atingidos pela medida foram Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux.

